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Heroína apreendida por autoridades moçambicanas indicia insurgentes como traficantes

Autoridades moçambicanas anunciaram que apreenderam 28 quilos de heroína em zonas controladas por grupos insurgentes em Cabo Delgado.
Lusa 18 de Outubro de 2021 às 09:03
Cerca de mil militares e polícias do Ruanda já estão no terreno a combater insurgentes na província de Cabo Delgado
Cerca de mil militares e polícias do Ruanda já estão no terreno a combater insurgentes na província de Cabo Delgado FOTO: Jean Bizimana / Reuters
As autoridades moçambicanas anunciaram que apreenderam 28 quilos de heroína em zonas controladas por grupos insurgentes em Cabo Delgado, indiciando a presença de redes de tráfico.

A droga fez parte de um total de 250 quilos de estupefacientes incinerados no sábado em Pemba, capital provincial, disse o porta-voz da Procuradoria Provincial de Cabo Delgado, Ângelo Sueta, citado esta segunda-feira pelo jornal O País.

"A heroína foi apreendida pelas Forças de Defesa e Segurança num dos edifícios que era ocupado pelos terroristas. Os donos da droga puseram-se em fuga durante os combates, mas, mesmo assim, foi aberto um processo-crime contra desconhecidos", referiu. 

Pela quantidade apreendida, "dá para entender que não era para consumo, talvez fosse para tráfico", acrescentou aquele responsável.

A província de Cabo Delgado é apontada por vários relatórios internacionais como um corredor de heroína oriunda da Ásia com destino, sobretudo, à Europa e EUA.

O Escritório das Nações Unidas para a Droga e Crime Organizado (UNODC) tem apontado mesmo o controlo do tráfico como uma das razões do conflito em Cabo Delgado.

A droga incinerada no sábado inclui ainda 24 quilos de cocaína apreendida no mar, ao largo de Pemba, 179 quilos de efedrina apreendida no bairro Cariaco, Pemba, e 22 quilos de cannabis

Em apenas um ano, as autoridades da justiça incineraram quase uma tonelada de droga em Cabo Delgado.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

 

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