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Correio da Manhã

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Jovem morre na Guiné-Bissau na sequência de espancamentos num ritual de iniciação

Rapaz foi transportado para o hospital de buba depois de ter sido circuncidado.
Lusa 27 de Setembro de 2022 às 15:20
Guiné Bissau
Guiné Bissau
Um jovem de 17 anos morreu numa "barraca do fanado", local do ritual de iniciação à vida adulta, em Buba, sul da Guiné-Bissau, por alegadamente ter sido espancado, disse esta terça-feira à Lusa Sana Mandjan, da Liga dos Direitos Humanos.

De acordo com Mandjan, que é também diretor da principal escola de Buba, o jovem teria sido vítima de maus-tratos por parte dos 'lambés' (guardiões da "barraca"), como parte dos rituais que devem ser consentidos por quem esteja no "fanado".

O jovem morreu no hospital de Buba, na segunda-feira.

O ritual do "fanado" é observado por todos os grupos étnicos da Guiné-Bissau e consiste no agrupamento de rapazes no mato durante alguns meses onde, após serem circuncidados (corte do prepúcio), são submetidos a práticas que se acredita serem de educação do jovem no sentido da sua entrada na vida adulta.

Regra geral, o jovem acaba por ser submetido às sevícias corporais que tem de aguentar como fazendo parte da sua masculinidade.

O representante da Liga Guineense dos Direitos Humanos conhece os rituais, mas realçou que não os apoia, "pelos males que fazem às crianças e à própria população", disse.

"Não é só esta situação da criança que faleceu, há outros relatos de maus-tratos de outras crianças nesta coisa do 'fanado' em Buba. O 'fanado' é dos Biafadas, mas todas as etnias de Buba têm crianças naquela barraca", observou Sana Mandjam.

O representante da Liga dos Direitos Humanos afirmou que devido à situação do "fanado", as matrículas de crianças do sexo masculino nas escolas de Buba "praticamente não estão a acontecer".

Sana Mandjan deu o exemplo da escola em que é diretor.

"A nossa escola, que é a maior de Buba, normalmente tem cerca de dois mil alunos, mas neste momento nem chegamos aos 700 matriculados, desde agosto. Os pais dizem que não têm dinheiro, mas gastam muito dinheiro com essa coisa do 'fanado' dos rapazes", notou Mandjan.

O representante da Liga dos Direitos Humanos quer a intervenção das autoridades nacionais em Buba para regular o ritual do fanado, nomeadamente para evitar que coincida com o arranque das aulas.

Sana Mandjan, que, entretanto, viajou na segunda-feira para Bissau, disse à Lusa que foi informado hoje que o governador de Quinará, cuja sede se encontra em Buba, ordenou o encerramento da "barraca" onde morreu o jovem de 17 anos.

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