Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
2

Missionárias católicas querem voltar para Chipene, onde uma freira foi assassinada

Ataque de 06 de setembro gerou uma fuga em massa.
Lusa 23 de Setembro de 2022 às 08:53
Freiras
Freiras FOTO: Getty Images/iStockphoto
As missionárias católicas que trabalham em Chipene, norte de Moçambique, onde a freira italiana Maria De Coppi foi assassinada por rebeldes há duas semanas, prometem continuar o trabalho no terreno.

"Nós não fechámos a nossa missão em Chipene e estamos dispostas a voltar", declarou à Lusa a missionária comboniana Paula Ciudad, em Nampula, capital provincial onde se encontra desde o ataque.

Os agressores responsáveis pelas incursões armadas no norte de Nampula atacaram a povoação de Chipene em 06 de setembro.

Gerou-se uma fuga em massa, para longe da violência a que nada escapou, nem a missão católica.

Outros seis membros da missão conseguiram fugir, menos Maria, uma enfermeira "que ajudava várias crianças, com alimentação e assistência médica".

"Isto é muito triste, porque nós não estamos aqui numa luta de religiões. Mesmo nos nossos lares, em Chipene, há meninas muçulmanas e outras católicas. Todas são tratadas da mesma forma", frisou Paula.

Até à suspensão das atividades, o lar feminino acolhia 40 crianças, dava-lhes escola e comida, bens essenciais que são escassos naquela comunidade do extremo norte da província de Nampula.

"Também as educávamos para serem o futuro de Moçambique", conta à Lusa a missionária Sandrine Fianke, outra freira que trabalhava em Chipene com Maria De Coppi.

"Estou chocada, mas não tenho problema em voltar para lá. Tenho fé em que as coisas vão melhorar", frisou a freira togolesa.

Memba e Erati são os distritos atacados por rebeldes na província de Nampula desde o início do mês.

Suspeita-se de que são os mesmos rebeldes: atravessaram o rio Lúrio para espalhar na outra margem o terror que semeiam desde há cinco anos em Cabo Delgado.

Destroemm infraestruturas, habitações e matam a população.

Não se sabe o número de vitimas na província de Nampula, mas há uma nova vaga de deslocados em busca de segurança.

Entretanto, as autoridades garantem que as tropas já recuperaram o controlo.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por violência armada, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde há um ano com apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás.

Há cerca de 800 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Ver comentários