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Nigéria acusa Europa de incoerência na transição energética

Vice-presidente da Nigéria considera que "uma transição energética justa tem de incluir África".
Lusa 3 de Setembro de 2021 às 15:31
Vice-presidente da Nigéria considera que "uma transição energética justa tem de incluir África".
Vice-presidente da Nigéria considera que 'uma transição energética justa tem de incluir África'. FOTO: PIUS UTOMI EKPEI/AFP via Getty Images
O vice-presidente da Nigéria acusou os países europeus de incoerência na política energética e alertou que África não pode ter o futuro aniquilado devido à transição para energias mais limpas.

Num artigo de opinião, publicado na revista Foreign Affairs com o título 'A Ilusão do Desinvestimento', Yemi Osinbajo argumentou que "uma transição energética justa tem de incluir África, e não pode negar ao povo a direito a um futuro mais próspero".

Em causa está a diminuição de investimentos em energias poluentes que a maior parte dos governos ocidentais está a levar a cabo, e que prejudicam os países africanos, ricos em recursos naturais e que, comparativamente, não têm contribuído tanto para a poluição ambiental como o consumo nos países mais ricos.

"Em vez de manietar o desenvolvimento económico do continente, os países ricos deviam ajudar os produtores energéticos em África a garantir financiamentos para os projetos de gás natural que podem servir como uma ponte para as 'emissões-zero' e para projetos de energias renováveis; a ação climática não deve significar cortar com todos os projetos de combustíveis fósseis, mas sim facilitar o fluxo de capitais para os países que mais deles precisam", argumentou o vice-presidente da Nigéria, o maior produtor de petróleo na África subsaariana, seguido de Angola e da Guiné Equatorial.

No artigo, Yemi Osinbajo reconheceu que "todos os países têm de fazer a sua parte no combate às alterações climáticas e numa transição global de afastamento dos combustíveis baseados no carbono", mas argumenta que as diferenças entre os estádios de desenvolvimento dos países devem ser tidas em conta, lembrando que África é dos que menos contribui para o aquecimento global.

"Refrear os investimentos no gás natural em África vai fazer pouco para limitar as emissões de carbono a nível global, mas prejudica muito as perspetivas económicas do continente", argumentou, exemplificando que, excluindo a África do Sul, os mil milhões de habitantes da África subsaariana "têm 81 gigawatts de capacidade de produção energética, o que é muito menos que a capacidade de 108 gigawatts do Reino Unido, e contribuíram menos de 1% para as emissões de carbono" a nível mundial.

O artigo na Foreign Affairs surge depois de, em abril, sete países europeus, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, terem anunciado que iriam suspender o financiamento público para projetos de combustíveis fósseis no estrangeiro, depois de em 2020 o fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, ter vendido as participações nas grandes empresas mineiras e energéticas devido a preocupações ambientais.

Os grandes bancos de desenvolvimento internacionais, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Africano de Desenvolvimento, têm vindo a reduzir o financiamento a projetos de investimento em combustíveis fósseis, prejudicando a capacidade dos países africanos, ricos em recursos naturais, de usarem estas riquezas para garantir o desenvolvimento económico.

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