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Polícia obrigada a disparar para o ar para terminar festa com 50 pessoas em Cabo Verde. Duas pessoas detidas

Caso aconteceu na noite de segunda-feira, na cidade de Tarrafal de São Nicolau.
Lusa 24 de Junho de 2021 às 15:56
Polícia Cabo Verde
Polícia Cabo Verde FOTO: Getty Images
A polícia cabo-verdiana teve de fazer um disparo para o ar e duas detenções para terminar com uma festa de aniversário com 50 pessoas em São Nicolau, que violava as regras da situação de calamidade devido à pandemia.

Em comunicado distribuído esta quinta-feira, a Polícia Nacional de Cabo Verde refere que o caso aconteceu na noite de segunda-feira, na cidade de Tarrafal de São Nicolau, tendo levado à detenção de um advogado de 32 anos que se encontrava na festa, "por desobediência, instigação à desordem pública, atentado contra agente de autoridade e obstrução do serviço policial".

A nota refere que durante a intervenção policial na casa da promotora da "festa de aniversário", o advogado, "numa tentativa de comprometer a autoridade do Estado em pleno uso e competência das suas funções legais", conseguiu, "com o apoio dos outros participantes da festa, impedir o término da mesma e a detenção da promotora por desobediência, tendo arrancado, com suas próprias mãos, a promotora [da festa e proprietária da casa] da polícia".

"Depois da mesma estar detida, dizendo, de viva voz, que a polícia não podia terminar aquela atividade, por não ter mandado judicial para esse efeito", lê-se no comunicado.

Segundo a resolução do Conselho de Ministros que em 30 de abril declarou a situação de calamidade - o nível mais grave de três previstos na lei de bases da Proteção Civil - por 30 dias, renovada depois por igual período, aplicada a todas as ilhas do arquipélago, "são proibidas as festas, sejam privadas, públicas ou em espaços públicos", os bares e esplanadas têm obrigatoriamente de fechar às 21h00 e os restaurantes às 23h00, entre outras medidas restritivas de contactos para conter a pandemia de Covid-19.

O comunicado acrescenta que "devido ao número de pessoas que estavam a obstruir o serviço policial e ao tumulto organizado e conduzido pelo próprio detido, tentando inclusive agredir a polícia em pleno desempenho da sua função para manter a ordem e a tranquilidade publicas" e "para evitar uma agressão" à polícia, o comandante da esquadra policial de Tarrafal de São Nicolau "teve que sacar da arma" e "realizar um disparo pelo ar, no sentido de afastar as pessoas".

Segundo a Polícia Nacional, foi comunicada ao Ministério Público a detenção da promotora do evento e "levantado um auto de contraordenação que seguirá os tramites legais".

"Logo após a detenção do advogado, foi-lhe comunicado dos seus direitos e contactámos o representante da Ordem dos Advogados, dando-lhe conhecimento da detenção e dos factos que motivaram tal desfecho", acrescentou a Polícia Nacional, referindo que o mesmo foi conduzido ao Ministério Público no dia seguinte, que promoveu a acusação, tendo o julgamento sido marcado para a próxima semana.

No período crítico da pandemia no arquipélago, Cabo Verde registou uma taxa de incidência acumulada de Covid-19 a 14 dias (um indicador utilizado internacionalmente) de 727 casos por cada 100.000 habitantes, de 26 de abril a 9 de maio, mas que desde então está em queda.

Segundo dados da Direção Nacional de Saúde, nos últimos 14 dias, período de 07 a 20 de junho, Cabo Verde analisou 11.773 amostras, que comprovaram 898 casos novos de Covid-19, correspondendo a uma taxa de positividade de 7,6%.

Desde 31 de março que Cabo Verde estava a registar valores máximos de novos infetados consecutivos, quase todos os dias acima de 200, tendo registado 417 casos, em 05 de maio, quando o máximo anterior a este período foi de 159, em 11 de outubro de 2020.

Esta tendência inverteu-se no último mês, com o número de novos casos diários em queda, até ao mínimo de 32 infetados em 14 de junho, o valor mais baixo desde 22 de março (26 casos).

Cabo Verde regista um acumulado de 32.192 casos do novo coronavírus desde 19 de março de 2020 (quando foi diagnosticado o primeiro infetado no arquipélago), distribuídos por todos os 22 municípios das nove ilhas habitadas, e 284 óbitos, segundo os dados do Ministério da Saúde.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos 3.893.974 vítimas em todo o mundo, resultantes de mais de 179.516.790 casos de infeção diagnosticados oficialmente, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

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