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Portugueses em Cabo Delgado com "vontade férrea" de investir na região

Comunidade e o empresariado portugueses naquela província mantêm grandes expectativas.
Lusa 3 de Julho de 2021 às 21:39
Destruição em Cabo Delgado
Destruição em Cabo Delgado FOTO: Getty Images
O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português, Francisco André, disse este sábado que o empresariado português no Norte de Moçambique continua com uma "vontade férrea" de investir em Cabo Delgado, apesar da instabilidade provocada pela insurgência.

"Dos membros da comunidade portuguesa com quem tive oportunidade de me encontrar senti laços muito fortes que existem com Moçambique e com esta região e uma vontade férrea de fazer face às dificuldades", declarou Francisco André, em entrevista à Lusa em Cabo Delgado, no fim do primeiro dia da sua visita a Moçambique.

Para o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, apesar dos desafios e instabilidade causada pela violência armada em Cabo Delgado, a comunidade e o empresariado portugueses naquela província mantêm as mesmas expectativas, embora seja "perfeitamente normal chegar à conclusão de que a situação de insegurança causa dificuldades para a atividade económica".

"Apesar destas dificuldades, eles querem continuar a trabalhar para se manterem aqui e traçarem um caminho em conjunto com os moçambicanos, com quem vivem todos os dias, para ajudar na recuperação económica da região", declarou Francisco André.

O governante português reiterou também a importância dos "laços históricos" que existem entre Maputo e Lisboa, avançando que a presença de Portugal num momento em que Moçambique precisa, com a violência armada em Cabo Delgado, é um sinal de amizade e boa cooperação.

"Moçambique é o maior destinatário da ajuda pública ao desenvolvimento por parte de Portugal, coisa que nos enche de satisfação e mostra bem o nível da nossa relação", afirmou Francisco André, acrescentando que, além do apoio ao país africano face à violência armada em Cabo Delgado, a disponibilização de um lote de 50 mil vacinas para o povo moçambicano simboliza as boas relações entre os dois estados.

"Moçambique pode contar com Portugal, como sempre", frisou.

No seu primeiro dia de visita a Moçambique, Francisco André acompanhou, em Pemba, a chegada do primeiro de três aviões que vão garantir a ponte aérea humanitária da União Europeia para apoiar as populações afetadas pela violência armada em Cabo Delgado, uma iniciativa coordenada entre Portugal e Itália.

A ponte aérea humanitária da UE para Pemba, norte de Moçambique, transportará perto de 15 toneladas de "equipamento que salva-vidas" e visa "responder a necessidades humanitárias urgentes".

Os bens e equipamentos provêm de contribuições específicas da Itália, de organizações como a Sant´Egídio, Oikos, Cuamm e, de Portugal, pela Unidade de Apoio Geral de Material do Exército, da CVP, Caritas e Tese.

O segundo voo da ponte aérea é esperado no domingo em Pemba, enquanto o terceiro chega no dia 09.

O estabelecimento de pontes aéreas humanitárias pela União Europeia foi uma prática utilizada recorrentemente pelo bloco durante a pandemia: segundo estatísticas da Comissão, em 2020 foram operados 67 voos para 20 países através deste mecanismo, o que permitiu fornecer "mais de 1.150 toneladas de equipamento humanitário e médico vital".

Cabo Delgado, província que acolhia o maior investimento privado em África para exploração de gás natural liderado pela Total (da ordem dos 20 mil milhões de euros), é assolado por ataques armados desde 2017, sendo alguns reclamados pelo grupo rebelde Estado Islâmico.

O projeto está suspenso devido à insegurança na região.

A onda de violência já provocou mais de 2.800 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 732.000 deslocados de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português vai trabalhar em Moçambique até o dia 07 e, além de visitar Cabo Delgado, tem previstos encontros com membros do Governo na capital moçambicana, reuniões que vão preparar a próxima cimeira bilateral, bem como a negociação do próximo Programa Estratégico de Cooperação 2022-2026.

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