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Presidente da África do Sul assinala 35.º aniversário da morte de Samora Machel

Cyril Ramaphosa será acompanhado pelo seu homólogo moçambicano Filipe Nyusi.
Lusa 18 de Outubro de 2021 às 17:02
Cyril Ramaphosa
Cyril Ramaphosa FOTO: Pavel Golovkin/REUTERS
O Presidente Cyril Ramaphosa vai assinalar na terça-feira, em Mbuzini, localidade sul-africana junto à fronteira com Moçambique, o 35.º aniversário da morte do ex-presidente da República de Moçambique, Samora Machel, anunciou esta segunda-feira a presidência sul-africana.

De acordo com um comunicado divulgado no sítio oficial de Internet da Presidência da República, o Presidente Ramaphosa será acompanhado pelo seu homólogo moçambicano Filipe Nyusi.

O evento comemorativo terá lugar no local do acidente aéreo, em Mbuzini, município de Nkomazi, província de Mpumalanga, onde foi construído o Museu Samora Machel, segundo o comunicado.

O primeiro Presidente da então República Popular de Moçambique independente morreu em 1986, quando o avião Tupolev 134 A-3 tripulado por pilotos soviéticos se despenhou, de noite, em território sul-africano, na zona montanhosa de Lebombo, perto da confluência das fronteiras entre a África do Sul, o Reino de eSuátini (antiga Suazilândia) e Moçambique, ao aproximar-se do aeroporto de Maputo, segundo o relatório factual das partes intervenientes na investigação.

O acidente ocorreu às 19h21, sendo que um engenheiro de voo e nove passageiros das 44 pessoas a bordo sobreviveram, segundo o relatório.

Samora Machel, 53 anos, que era também presidente do partido governante Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), regressava de uma conferência regional com líderes africanos, em Lusaca, na Zâmbia.

Após 35 anos, continuam por se conhecer publicamente as causas do acidente aéreo de Samora Machel junto à fronteira entre os dois países.

"O acidente de 19 de outubro de 1986 atraiu alegações de sabotagem contra a então administração sul-africana do [sistema de segregação racial do] 'apartheid'", refere a nota da Presidência da República sul-africana esta segunda-feira divulgado.

Segundo o documnento, "um inquérito da Comissão de Verdade e Reconciliação (TRC), em 1994, foi inconclusivo sobre a causa do acidente no qual o Presidente Machel, membros do seu partido, ministros, funcionários e tripulação da aeronave russa morreram".

"O Presidente Machel encorajou e capacitou revolucionários que lutavam contra o sistema de 'apartheid' para operarem em Moçambique durante a sua presidência", refere ainda a presidência sul-africana, salientando que "isso tornou a administração do 'apartheid' hostil aos Estados da linha de frente e determinada em desestabilizar os países que apoiavam a luta de libertação".

"Na dispensação democrática, a África do Sul e Moçambique promoveram relações estreitas com base em ligações históricas, proximidade geográfica e o papel significativo de Moçambique contra o 'apartheid'", referiu.

O 35.º aniversário da morte de Samora Machel integra um conjunto de iniciativas do Governo sul-africano, que "visam corrigir e alterar a paisagem do património para transmitir autenticamente a história de libertação da África do Sul desde os tempos coloniais", anuncia a presidência sul-africana.

Recentemente, no lançamento de um livro em homenagem a Samora Machel, na capital moçambicana, Maputo, a viúva Graça Machel considerou que o ex-presidente moçambicano foi "assassinado" por causa dos "ideais".

"Samora foi assassinado tinha 53 anos (...) ainda na flor da vida, ainda quando tinha muito para dar e a gente tem que se questionar porque é que Samora foi morto", afirmou Graça Machel.

A viúva do antigo chefe de Estado moçambicano salientou que "essa coisa de valores, essa coisa de princípios, não é tu matas uma pessoa e os ideais também morrem", acrescentando: "Eu penso que está a ficar cada vez mais claro porque é que Samora foi morto em 1986".

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