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Presidente da CASA-CE minimiza Frente Patriótica e afirma coligação como "a verdadeira frente"

Presidente da coligação angolana CASA-CE desvalorizou as pretensões do bloco político na oposição.
Lusa 29 de Agosto de 2021 às 09:14
Manuel Fernandes, presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE)
Manuel Fernandes, presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) FOTO: AMPE ROGÉRIO/LUSA
O presidente da coligação angolana CASA-CE desvalorizou este domingo as pretensões da Frente Patriótica Unida, bloco político na oposição que ambiciona o poder, e considerou que "a verdadeira frente" é a sua formação, que está "muito compacta e coesa".

Em entrevista à Lusa, Manuel Fernandes disse ter "dificuldades de entender" a Frente Patriótica Unida, uma iniciativa que "não é uma coligação, mas um espaço político de aglutinação de vontades políticas e também poderá absorver atores da sociedade civil, mas para serem incorporados numa determinada lista".

"Nós, CASA-CE, somos uma coligação eleitoral e nós é que somos uma verdadeira frente, porque até somos uma convergência, seria negativo e uma irresponsabilidade grande dissolvermos a CASA para então aderirmos a um outro projeto político, não é possível", afirmou o político, questionado sobre esta possibilidade.

A Frente Patriótica Unida é composta pelos presidentes da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), Adalberto Costa Júnior, do Bloco Democrático (BD), Filomeno Vieira Lopes, e o coordenador do projeto político PRA JÁ Servir Angola, Abel Chivukuvuku, que promete "desalojar" o MPLA do poder.

O presidente da Convergência Ampla de Salvação -- Coligação Eleitoral (CASA-CE), oposição, descarta assim a adesão à 'Frente' e assegura que a sua agremiação política vai concorrer enquanto coligação eleitoral nas próximas eleições, manifestando-se aberto a "outras vontades políticas e da sociedade civil".

"Estou aqui a lutar para conseguir consolidar a CASA-CE, como um instrumento político com vocação de poder, e também estou interessado que o Presidente João Lourenço saia do poder, que vá para a oposição, mas quem deve lá estar? Porque não o Manuel Fernandes? É um direito que me assiste como dirigente político", notou.

Manuel Fernandes é o terceiro presidente da CASA-CE, fundada em 2012 por Abel Chivukuvuku, e substituiu o almirante André Mendes de Carvalho "Miau", afastado a pedido dos partidos que suportam a coligação eleitoral.

A saída de Abel Chivukuvuku, afastado em 2019 por divergências internas, concorreu para a saída de vários militantes da coligação e para a divisão do grupo parlamentar da coligação, que elegeu 16 deputados em 2017, mas hoje está fragmentada.

À testa da coligação desde fevereiro passado, Manuel Fernandes afirma que as "fissuras" que encontrou na estrutura da coligação, sobretudo em consequência da saída de Chivukuvuku, "estão completamente sanadas", fruto da sua estratégia de "reorganização interna e reposição da dinâmica " da CASA-CE.

"Podemos dizer que as fissuras estão completamente sanadas, apenas temos o caso que estamos a tratar agora, que é do Bloco Democrático", adiantou.

A CASA-CE suspendeu, no princípio deste mês, a participação política do BD até 2022, por este "ter decidido não renovar o acordo de participação" com a coligação nas eleições gerais do próximo ano.

Manuel Fernandes, também deputado à Assembleia Nacional (parlamento), diz-se "triste" com a atual divisão do grupo parlamentar, garantindo que o "futuro será marcado pela união e enquadramento de jovens para uma melhor representatividade no parlamento".

"Não estamos a dizer que os mais velhos não são válidos, mas devemos reconhecer que hoje precisamos inverter o quadro anterior", atirou.

Em contexto pré-eleitoral, o político fez saber que a CASA-CE desenvolve várias ações, enquadradas em três vetores principais: mobilização, enquadramento e formação política.

"Estamos a trabalhar e a breve trecho vamos remeter as nossas ideias para as eleições, ou seja, o pré-programa de governo. Vamos submetê-lo à discussão da sociedade, buscar outros contributos para que de facto seja um instrumento que conta a participação de todos os angolanos", concluiu Manuel Fernandes, político formado em administração de empresas.

 

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