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"Muito estruturado e organizado": Chefe de Estado da Guiné-Bissau sobre presidente da transição em Conacri

"Não pactuo com aqueles que fazem um golpe", observou Umaro Sissoco Embaló.
Lusa 20 de Outubro de 2021 às 21:52
Umaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-Bissau
Umaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-Bissau FOTO: Reuters
O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse esta quarta-feira que encontrou na Guiné-Conacri um homem "muito estruturado e organizado", referindo-se ao Presidente de transição, o coronel Mamadi Doumbouya.

"Fiquei surpreendido, encontrei um homem muito estruturado e organizado. Para ele a unidade nacional é muito importante", afirmou Umaro Sissoco Embaló aos jornalistas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, de regresso de uma viagem de algumas horas que fez à Guiné-Conacri.

Em 05 de setembro, uma junta militar liderada pelo coronel Mamadi Doumbouya derrubou o Presidente Alpha Condé, de 83 anos, que se mantém detido desde então, dissolveu o parlamento e os poderes civis eleitos, tendo ainda suspendido a Constituição.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiu, após uma cimeira extraordinária, suspender a Guiné-Conacri de todas as instituições da organização na sequência do golpe que afastou o Presidente Alpha Condé e exigiu a sua libertação.

O Presidente guineense explicou que partilhou a experiência da Guiné-Bissau, que hoje tem uma nova dinâmica no "concerto das Nações", e que não há golpes necessários e que agora o coronel Mamadi Doumbouya precisa de fazer uma Nação para todos, sem tribalismo e sectarismo.

Umaro Sissoco Embaló salientou também que o Presidente deposto Alpha Condé deve ser tratado com dignidade.

O Presidente já tinha admitido, em setembro, a disponibilidade pessoal para conversar com os autores do golpe em Conacri.

"A Guiné-Bissau tem experiência e sabe qual é consequência de um golpe de Estado. Aconteceu aqui várias vezes, mas hoje em dia esse ciclo fechou o que permitiu que o Presidente José Mário Vaz tenha completado os cinco anos do seu mandato", enfatizou Embaló, na altura.

 O Presidente guineense, que condenou o golpe militar na Guiné-Conacri, disse ser contra as alterações à Constituição, mas também afirmou serem "comportamentos anormais" que um dirigente "com 90 ou 100 anos" fique no poder como Presidente da República.

Para Umaro Sissoco Embaló, a idade máxima no cargo de Presidente da República é 65 anos, sair para a reforma, dar oportunidade aos mais novos, sem pensar num terceiro mandato, frisou.

"Eu e o Presidente Alpha não somos amigos, nem quero ser amigo dele e nem ele quer ser meu amigo, mas fomos homólogos. Condeno o golpe de Estado porque não sou subversivo, portanto não pactuo com aqueles que fazem um golpe", observou Embaló, salientando que é a favor da libertação do Presidente derrubado.

 

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