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Presidente moçambicano diz que país não conseguirá "erradicar o terrorismo" sozinho

Filipe Nyusi defende que tais ações não respeitam fronteiras.
Lusa 14 de Maio de 2021 às 00:27
Filipe Nyusi
Filipe Nyusi FOTO: EPA
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse esta quinta-feira que o país não vai conseguir, "sozinho, erradicar o terrorismo", porque se trata de um fenómeno que não respeita fronteiras, agradecendo a ajuda internacional.

"Nós em Moçambique reconhecemos que sozinhos não conseguiremos erradicar este flagelo, daí que acolhemos com agrado a manifestação de solidariedade e interesse em apoiar-nos nessa luta", declarou Nyusi.

O chefe de Estado falava por ocasião do encontro anual com o corpo diplomático acreditado em Maputo.

"O terrorismo, mesmo que atue num determinado local, é um fenómeno global cuja propagação não respeita as fronteiras de um país, região ou continente, por isso, o seu combate, sendo responsabilidade primária de cada Estado diretamente afetado, exige esforços coordenados e cooperativos de todos os países", acrescentou.

O Presidente moçambicano considerou "injustas" afirmações de "alguns círculos" de que o país tem recusado apoio para o combate aos grupos armados que atuam na província de Cabo Delgado, sustentando que estão em curso ações de cooperação com vários países na luta contra a violência.

O chefe de Estado destacou o imperativo da capacitação e modernização das Forças de Defesa e Segurança (FDS) para estarem à altura dos desafios à soberania nacional.

"A defesa da nossa pátria e soberania irá se tornar sustentável e duradoura, capacitando e modernizando as Forças de Defesa e Segurança, porque os apoios [externos] nunca serão para sempre", declarou.

Filipe Nyusi assegurou que o Estado moçambicano não vai permitir que o seu território se torne num "santuário do terrorismo", prometendo todo o empenho necessário para o combate aos grupos armados.

O Presidente moçambicano considerou prioritária a assistência humanitária aos deslocados e vítimas da guerra em Cabo Delgado, através da prestação de apoios que permitam a sobrevivência aos afetados.

"A nossa maior lamentação, em todas as incursões terroristas, tem sido a perda de vidas humanas. Economia e negócios, sim, mas, em primeiro lugar, a vida humana", destacou.

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 714.000 deslocados de acordo com o Governo moçambicano.

Um ataque a Palma, junto ao projeto de gás em construção, em 24 de março provocou dezenas de mortos e feridos, sem balanço oficial anunciado.

As autoridades moçambicanas anunciaram controlar a vila, mas o ataque levou a petrolífera Total a abandonar o recinto do empreendimento que tinha início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.

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