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Correio da Manhã

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Terrorismo impede abertura de um quinto das escolas de Cabo Delgado, em Moçambique

Destruição de infraestruturas e ausência de segurança continuam a afetar a educação na região.
Lusa 25 de Janeiro de 2022 às 10:02
Alunos na escola em África
Alunos na escola em África FOTO: Direitos Reservados / Pixabay
A violência armada vai impedir a abertura de um quinto das escolas de Cabo Delgado, norte de Moçambique, no novo ano letivo, a partir de segunda-feira, anunciou a direção provincial de Educação.

"Temos algumas escolas nas zonas afetadas pelo terrorismo que não vamos conseguir abrir: são no total 183 escolas", disse Manuel Bacar, porta-voz da área, num balanço feito na segunda-feira, em Pemba.

Devido à fuga da população para lugares seguros, aquele responsável disse que não era possível saber quantos alunos podem ser afetados.

As escolas públicas em causa lecionam do 1.º ao 12.º ano de escolaridade e são ao todo 985 naquela província nortenha.

Seja devido à destruição de infraestruturas ou por ausência de segurança - e consequente fuga da população - a educação continua a ser uma das áreas mais afetadas na região.

Manuel Bacar garantiu que os alunos que saírem das zonas de conflito vão ser reintegrados em estabelecimentos de ensino de zonas seguras, que têm apresentado sinais de sobrelotação.

O porta-voz da direção de educação refere que, como reflexo da violência que já dura há mais de quatro anos, Cabo Delgado mantém a mais alta taxa de analfabetismo entre as províncias do país, sendo superior a 50% da população.

"Temos um projeto para reduzir essa taxa de analfabetismo até 39% em 2024", referiu Bacar. 

"Cada mesquita ou igreja vai ter um centro de alfabetização e para escolas secundárias temos um programa específico", detalhou.

As medidas dependem da consolidação da intervenção armada, que junta tropas moçambicanas e estrangeiras desde julho de 2021 da repressão de grupos insurgentes.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas, aterrorizada desde 2017, por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade do Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar várias zonas ocupadas, mas continua a haver confrontos pontuais que em dezembro alastraram para a província do Niassa.

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