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Marcelo Rebelo de Sousa recorda com "grande saudade" Giscard d'Estaing

Realiza-se hoje a cerimónia de homenagem europeia ao antigo Presidente francês, que "gostava de Portugal" e foi "um exemplo para a Europa".
Lusa 2 de Dezembro de 2021 às 14:18
Valéry Giscard d’Estaing
Valéry Giscard d’Estaing FOTO: Direitos Reservados
O Presidente da República recordou esta quinta-feira com "grande saudade" Valéry Giscard d'Estaing, por ocasião de uma cerimónia de homenagem europeia ao antigo Presidente francês, que "gostava de Portugal" e foi "um exemplo para a Europa".

Marcelo Rebelo de Sousa participou esta quinta-feira no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, num tributo europeu a Giscard d'Estaing, antigo chefe de Estado francês que morreu há precisamente um ano, e que o Presidente da República diz ter conhecido "muito bem pessoalmente" e sempre admirado.

O Presidente recordou que conheceu Giscard d'Estaing quando, ainda adolescente, se deslocou à sede dos Republicanos Independentes, apontou que estiveram juntos nas "várias idas dele a Portugal, nos anos 70, antes de ser Presidente francês", durante o período em que foi chefe de Estado, e depois como deputado europeu, pois, enquanto líder do PSD, tiveram encontros para "acertar pontos de vista quando o seu partido aderiu ao Partido Popular Europeu".

Marcelo recorda que esteve com Giscard d'Estaing "há menos de dois anos", quando foi convidado pela Academia Francesa, e tiveram oportunidade de falar "novamente muito de Portugal".

"Ele apoiou sempre as comunidades portuguesas em França, conhecia muito bem Portugal, tinha lá ido várias vezes ao longo da sua vida. Gostava de Portugal e nós gostávamos dele", apontou.

O Presidente da República sublinhou que, "acima de tudo, era um exemplo mobilizador e nunca envelhecia", pois "aos 80 anos, aos 90, há dois anos, era o mesmo que tinha sido 40 anos antes, lutando por uma Europa unida, avançada, progressiva, para não dizer mesmo progressista, o que é curioso num homem de centro-direita" e "nunca envelheceu nesses seus sonhos".

"Foi um homem de fazer avançar a Europa e, sendo teoricamente um conservador, acabou por ser um modernista em tantas transformações no seu país e na Europa", declarou.

Questionado sobre como vê o facto de hoje em dia os valores europeus que Giscard d'Estaing estarem cada vez mais ameaçados na Europa, e na própria França, onde os dois candidatos da extrema-direita às eleições de 2022 -- Marine Le Pen e Eric Zemmour - têm atualmente intenções de voto de quase 30%, Marcelo Rebelo de Sousa observou que tal "significa que a luta pela Europa continua".

"Eu estou esperançado que um pouco como aconteceu por exemplo na Alemanha há muito pouco tempo, com uma próxima mudança de Governo mas o mesmo espírito europeu, que o espírito europeu continue muito forte em França e continue muito forte em toda a UE", declarou.

Um ano após a morte de Giscard d'Estaing, a 2 de dezembro de 2020, várias personalidades europeias reuniram-se hoje em Estrasburgo para prestar tributo ao antigo chefe de Estado francês "pelo papel decisivo que desempenhou na construção da Europa", entre as quais o atual Presidente francês, Emmanuel Macron, os líderes das três instituições europeias, Charles Michel (Conselho), Ursula Von der Leyen (Comissão) e David Sassoli (Parlamento), e o Presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, entre outros.

Valéry Giscard d'Estaing, que foi o terceiro Presidente da V República francesa e ocupou o Eliseu entre 1974 e 1981, morreu a 02 de dezembro do ano passado, aos 94 anos, devido a complicações cardíacas num quadro clínico de covid-19, após ter sido hospitalizado a meio de novembro.

Algumas das principais marcas do seu mandato foram o acesso ao voto a partir dos 18 anos, o direito à interrupção voluntária da gravidez e a possibilidade de divórcio por mútuo acordo. Apesar de se ter recandidatado, foi derrotado em 1981 por François Mitterrand.

Giscard d'Estaing foi também ministro das Finanças quando Georges Pompidou era primeiro-ministro, entre 1962 e 1966. Voltou ao Governo com as mesmas funções quando Pompidou já era Presidente, entre 1969 e 1974.

Após a sua passagem pelo Eliseu, foi deputado europeu e dedicou-se à escrita, tornando-se membro da Academia Francesa.

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