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Academia pede desculpa a atriz indígena maltratada nos Óscares em representação de Marlon Brando

Sacheen Littlefeather reagiu com humor às desculpas após 50 anos: “Nós índios, somos pessoas muito pacientes”
Correio da Manhã 16 de Agosto de 2022 às 18:45
Sacheen Littlefeather
Sacheen Littlefeather
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Na cerimónia dos Óscares de 1973, Marlon Brando ganhou a famosa estatueta dourada para o prémio de melhor ator, pelo seu papel de Vito Corleone, no filme O Padrinho. O ator, que não esteve presente na cerimónia, pediu a Sacheen Littlefeather, atriz indígena de 26 anos, que recusasse este prémio em seu nome. Brando pretendia assim protestar pela forma como a indústria cinematográfica se comportava em relação aos povos indígenas.

A ação de Marlon Brando pretendeu apoiar um movimente emergente àquela data, que se inspirou nos protestos do Movimento Indígena Americano, após os massacres de Wounded Knee, na Dakota do Sul, nos EUA, em 1890.

Sacheen Littlefeather subiu ao palco levando numa mão a carta escrita por Brando e, com a outra, recusou a estatueta entregue pelos apresentadores Roger Moore e Liv Ullmann, tal como prometera a Brando.

Em 2021, a atriz revelou ao jornal britânico The Guardian que a carta escrita por Marlon Brando tinha oito páginas, mas que o diretor da cerimónia apenas lhe concedeu 60 segundos para que discursasse. Ainda assim, o curto discurso da atriz foi interrompido pelos assobios vindos da audiência.

Littlefeather relevou que membros da segurança do evento tiveram de deter John Wayne, para que este não agredisse a atriz.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood emitiu um comunicado assinado pelo seu presidente, David Rubin, a 18 de junho, descrevendo a atitude de Sacheen Littlefeather como "um sinal claro de que nos devemos relembrar da necessidade do respeito e da dignidade humana".

"O abuso sofrido por causa do discurso foi injustificável. O fardo emocional que viveu e o custo que teve na sua própria carreira na nossa indústria são irreparáveis. Durante demasiado tempo, a coragem que demonstrou não foi reconhecida. Por isso oferecemos as nossas mais profundas desculpas e a nossa admiração sincera."

Littlefeather, agora com 75 anos, já reagiu ao comunicado, afirmando com humor: "Quanto ao pedido de desculpas da Academia para mim, nós índios, somos pessoas muito pacientes – só passaram 50 anos! Temos de manter sempre o nosso sentido de humor. É o nosso método de sobrevivência".

"Nunca pensei que viveria para ver este dia. Isto é um sonho tornado realidade. É profundamente animador ver o quanto as coisas mudaram desde que não aceitei o Óscar há 50 anos".
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