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Acordo energético leva Costa, Sánchez e Macron a reunirem-se dentro de "uns dias" em Paris

"França está a favor da interconexão e a favor de uma Europa solidária", refere chefe de estado francês.
Lusa 7 de Outubro de 2022 às 19:15
Costa e Macron
Costa e Macron FOTO: Reuters
O Presidente de França e os primeiros-ministros de Portugal e Espanha vão reunir-se dentro de "uns dias" em Paris para tentarem chegar a acordo sobre as interconexões energéticas, disse hoje o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.

"Verei, dentro de uns dias, em Paris, o primeiro-ministro [Pedro] Sánchez e o primeiro-ministro [António] Costa, e vamos encontrar acordos muito pragmáticos a três, porque é assim que fazemos as coisas e as fazemos bem, à europeia", afirmou Macron numa conferência de imprensa em Praga, no final de uma cimeira informal de líderes da União Europeia (UE) que teve como principal ponto em agenda um longo debate sobre a resposta do bloco comunitário à escalada dos preços da Energia.

O Presidente francês acrescentou que "França está a favor da interconexão e a favor de uma Europa solidária".

Também o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, confirmou o encontro, para debater as interconexões para transporte de gás e hidrogénio, que são "perfeitamente compatíveis", e de eletricidade.

Sánchez, que como Macron falava em Praga, disse ver neste encontro "a vontade" de França encontrar "soluções que correspondam" também às suas "exigências domésticas".

Falando igualmente em Praga, o primeiro-ministro, António Costa, disse hoje que Portugal vai "persistir" na tentativa de convencer a França relativamente às interconexões, até porque "o Presidente Macron que disse "não" agora "é o mesmo" que já disse "sim" várias vezes.

Um dia após o Presidente francês ter voltado a manifestar, em Praga, a sua oposição a um gasoduto que ligue a Península Ibérica ao resto da Europa, conhecido como projeto Midcat, através dos Pirenéus, Costa apontou que a rejeição por parte de Emmanuel Macron a este projeto tem sido "entremeada com 'sins'", incluindo por escrito.

"Acho que é preciso persistir, além do mais porque o Presidente Macron que disse 'não' é o mesmo Presidente Macron que, em 2018, assinou em Lisboa uma declaração que previa quer o incremento das interconexões elétricas, quer o incremento das interconexões gasíferas", disse, referindo-se à Cimeira das Interligações celebrada na capital portuguesa em 2018, com a participação de Costa, Macron e Sánchez.

Além do encontro de Paris, foi anunciado hoje que os primeiros-ministros de Portugal, Alemanha e Espanha se vão reunir dentro de uma semana, no dia 14, em Berlim, para debaterem a situação do abastecimento de energia na UE.

O encontro entre António Costa, Olaf Scholz e Pedro Sánchez vai realizar-se na sexta-feira da próxima semana, à tarde, e na reunião será abordado o "abastecimento energético e a violação do Direito Internacional por parte da Rússia contra a Ucrânia e questões da reconstrução do país", segundo afirmou um porta-voz do executivo alemão, Wolfgang Büchner, citado pela agência de notícias EFE.

Serão ainda abordadas "questões de política europeia e de política internacional, entre elas, a preparação da cimeira do Conselho Europeu em Bruxelas dos dias 20 e 21 de outubro", revelou o Governo alemão.

Esta reunião - que coincide com a realização do congresso dos Socialistas Europeus em Berlim, nos dias 14 e 15 de outubro - surge depois de Scholz ter manifestado apoio ao projeto do novo gasoduto nos Pirenéus, para ligar a Península Ibérica, ao resto da Europa.

Olaf Scholz manifestou na quarta-feira passada "apoio de forma explícita" a um novo gasoduto nos Pirenéus e afirmou não ter "a impressão" de o projeto estar excluído por parte de França.

O líder do Governo alemão defendeu na mesma ocasião que a construção do MidCat é um "elemento fundamental" para garantir o abastecimento energético dos países da UE mais dependentes de gás russo.

Scholz defendeu pela primeira vez, em agosto passado, a construção de um gasoduto pan-europeu, para ligar a Península Ibérica, desde Portugal, ao resto da Europa.

Emmanuel Macron António Costa Espanha
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