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Arábia Saudita e Iraque reabrem fronteira encerrada há 30 anos

Países deixaram de ter relações diplomáticas tendo os contactos sido retomados em 2017 com o restabelecimento das ligações aéreas.
Lusa 18 de Novembro de 2020 às 12:52
Posto fronteiriço de Arar
Posto fronteiriço de Arar FOTO: Getty Images
O Iraque e a Arábia Saudita reabriram esta quarta-feira o posto fronteiriço de Arar, encerrado há 30 anos, demonstrando desta forma uma nova postura diplomática entre os dois países.

Em 1990, na sequência da invasão do Kuwait por parte do regime iraquiano de Saddam Hussein os dois países deixaram de ter relações diplomáticas tendo os contactos sido retomados em 2017 com o restabelecimento das ligações aéreas.

Atualmente, Riade pretende aceder ao mercado do Iraque, um país cujos setores agrícola e industrial se encontram em profunda crise, e inundado de produtos do Irão e da Turquia.

Os dois países vão igualmente tentar reabrir uma segunda passagem fronteiriça em Al-Jemayama, apesar de ser menos importante, situada no sul do Iraque.

As condições políticas são consideradas aceitáveis visto que o primeiro-ministro do Iraque, Moustafa al-Kazimi, xiita como todos os chefes de governo depois da invasão internacional do Iraque em 2003, é amigo do príncipe herdeiro saudita Mohammed Ben Salmane.

O objetivo da reabertura da fronteira de Arara, na província de Anbar, a oeste da Jordânia no sul da Arábia Saudita, é deixar passar mercadorias e pessoas criando uma via de acesso às importações que atualmente chegam do Irão, o segundo fornecedor comercial do Iraque.

A decisão sobre a reabertura da fronteira está a provocar mal-estar entre algumas fações armadas iranianas nomeadamente por parte de grupos como o Ashab al-Kahf e movimentos iraquianos pró-Teerão que acusam Riade de estar a tentar "colonizar" o Iraque. 

"Deixem-nos investir! Bem-vindos ao Iraque", disse terça-feira o primeiro-ministro Kazimi reagindo às ameaças pró-iranianas.

"Os acordos com a Arábia Saudita vão criar milhares de empregos", acrescentou o chefe do governo.

Até ao momento, as autoridades dos dois países só permitiam a abertura da fronteira aos fiéis iraquianos em peregrinação para Meca. 

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