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Correio da Manhã

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Balas que mataram política brasileira eram da Polícia Federal

13 projéteis de pistola 9mm disparados a menos de dois metros de distância.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 16 de Março de 2018 às 16:35
Marielle Franco
Marielle Franco
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As balas que mataram a vereadora Marielle Franco num atentado perpretado quarta-feira à noite na zona norte da cidade do Rio de Janeiro eram de um lote vendido anos atrás à Polícia Federal de Brasília, a capital federal do Brasil. A identificação da origem dos projéteis foi confirmada por peritagem realizada pelos peritos criminais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil (Judiciária) do Rio de Janeiro, que investiga o atentado.

De acordo com o que os peritos apuraram, os 13 projéteis de pistola 9mm disparados a menos de dois metros de distância contra o carro que levava Marielle, e que, além dela, mataram também o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, faziam parte do Lote UZZ-18, fabricado pela empresa CBC. Esse lote, conforme faturas já localizadas, foi entregue pela referida empresa à Polícia Federal de Brasília no dia 29 de Dezembro de 2006.

Especula-se desde as primeiras diligências levadas a cabo pela Divisão de Homicídios que o assassino ou os assassinos possam ser polícias, mas da Polícia Militar, cujos supostos abusos eram repetidamente denunciados pela vereadora, ou ainda que o autor dos disparos faça parte de uma das muitas milícias que atuam no Rio, grupos para-militares formados por agentes e ex-agentes, e que eram outro alvo de Marielle.

Agora, a Polícia Civil e a Polícia Federal vão fazer um exaustivo rasteio das munições que faziam parte do Lote UZZ-18, o que pode não ser fácil tendo em conta que já se passaram 12 anos desde a data de aquisição. Os investigadores vão tentar esclarecer se o lote ou parte dele foi roubado ou cedido, no todo ou em parte, pela Polícia Federal a outra corporação, por exemplo a Polícia Militar do Rio de Janeiro, ou que outro destino foi dado a essas munições.

Marielle Franco, de 38 anos, eleita com a quinta maior votação do Rio de Janeiro em 2016 pelo PSOL, Partido Socialismo e Liberdade, foi executada com pelo menos quatro tiros na cabeça na noite de quarta-feira na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, zona norte do Rio de Janeiro. Um outro carro colocou-se ao lado do da vereadora e de lá foram feitos os disparos que a mataram e ao motorista, ferindo levemente ainda uma assessora da parlamentar.

Nascida na favela da Maré, também na zona norte, Marielle focava a sua atuação na defesa dos negros, principalmente mulheres e jovens, e de moradores de favelas e na denúncia de abusos da polícia. Quatro dias antes de ser executada ela tinha denunciado a morte de dois jovens da favela do Acari e acusado polícias de terem cometido os crimes e atirado os corpos das vítimas para um barranco, e na véspera da sua própria morte tinha acusado agentes de serem responsáveis pela morte de mais uma pessoa, um jovem de 23 anos abatido a tiros quando saía de mota da favela do Jacarezinho depois de ter ido a um culto num templo evangélico.

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