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Correio da Manhã

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Bebé com microcefalia por Zika nasce em Espanha

Primeiro caso registado na Europa.
25 de Julho de 2016 às 16:47
Vírus Zika é responsável por lesões cerebrais em fetos
Vírus Zika é responsável por lesões cerebrais em fetos FOTO: Reuters
O primeiro bebé com microcefalia causado pelo vírus Zika na Europa nasceu esta segunda-feira num hospital de Barcelona, anunciou fonte hospitalar.

Segundo o chefe do serviço de Neonatologia do Hospital de Vall d'Hebron, Félix Castillo, as malformações no feto foram detetadas em maio, às 20 semanas de gestação, mas os pais não quiseram abortar e o recém-nascido vai agora ser submetido a estudos clínicos para se averiguar o estado de saúde.

A mãe contraiu o vírus ao ser picada por um mosquito na América Latina, segundo fonte hospitalar.

Esta segunda-feira foi também revelado um estudo que mostra que mais de 1,6 milhões de grávidas poderão ser infetadas com o Zika na América Central e do Sul na primeira onda da epidemia.

Publicado na edição eletrónica da revista Nature Microbiology, o estudo estima que, no total, 93,4 milhões de pessoas sejam infetadas com o vírus na América do Sul e no Caribe nas primeiras fases da disseminação do vírus.

O estudo mostra também que o Brasil deverá ser o país com maior número de infeção, com mais do dobro dos casos de qualquer outro país, devido ao seu tamanho e à facilidade de transmissão.

Segundo as estimativas, 37,4 milhões de pessoas serão infetadas no Brasil e 579 mil grávidas estão em risco, enquanto o México, o segundo país mais afetado, registará 14,9 milhões de infeções e 263 mil grávidas em risco.

Tendo em conta a associação entre o vírus e uma série de doenças fetais, nomeadamente a microcefalia congénita, os cientistas alertam que a doença é um risco para os 15 milhões de bebés que nascem todos os anos nas Américas e definem como uma prioridade estimar a porção desta população que está realmente em risco.

O Brasil, o país mais afetado pela epidemia de Zika, contabiliza 1.709 casos de microcefalia em recém-nascidos desde outubro do ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde brasileiro.

De acordo com o mais recente boletim da tutela, com dados até 16 de julho, "outros 3.182 casos permanecem sob investigação".

Dos 8.571 casos notificados desde outubro do ano passado, "3.680 foram descartados por apresentarem exames normais, por apresentarem microcefalia ou malformações confirmadas por causa não infecciosas" ou por "não se enquadrarem na definição de caso".

Também foram registadas 354 mortes por suspeita de microcefalia ou outra alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gravidez.
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