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Correio da Manhã

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Biden dá "luz verde" a ataque da Rússia à Ucrânia

O presidente dos EUA causou incerteza no seio da NATO ao afirmar que uma invasão russa de pequena escala dividirá os aliados.
Francisco J. Gonçalves 21 de Janeiro de 2022 às 08:35
A Rússia tem mais de 100 mil efetivos na fronteira, o que levou a Ucrânia a acelerar preparativos contra uma invasão
A Rússia tem mais de 100 mil efetivos na fronteira, o que levou a Ucrânia a acelerar preparativos contra uma invasão FOTO: Reuters
O presidente dos EUA causou esta quinta-feira alarme e perplexidade na NATO ao dar a entender que uma invasão da Ucrânia em pequena escala poderia não ter consequências pois causaria desentendimentos entre os aliados quanto à resposta a dar à Rússia. As palavras de Joe Biden, que pareceu desvalorizar o que designou como “uma incursão menor”, mereceram críticas imediatas da Ucrânia e forçaram a Casa Branca a retificar o sentido das afirmações. Outros países da NATO vieram também garantir de imediato que qualquer agressão à Ucrânia terá sérias consequências para Moscovo.

“Tudo depende do que a Rússia fizer se invadir a Ucrânia. Se for uma incursão menor, podemos acabar a discutir o que fazer ou não fazer”, afirmou Biden, fazendo soar os alarmes, por parecer uma permissão a Vladimir Putin para iniciar uma guerra de baixa intensidade.

“Isto dá luz verde a Putin para entrar na Ucrânia como bem entender”, afirmou um responsável ucraniano. Pouco depois, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi ainda mais contundente e lembrou a Biden que não há pequenas e grandes mortes na guerra.

“Se qualquer força militar russa atravessar a fronteira ucraniana, isso será uma invasão renovada e terá uma resposta unida e dura dos EUA e dos nossos aliados”, garantiu a secretária de Imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, corrigindo Biden e tentando tranquilizar a Ucrânia e os aliados da NATO.

A UE reiterou a mensagem de unidade e frisou que responderá a um novo ataque “com pesadas sanções financeiras”.

Pormenores
Recrutamento  
Os EUA acusaram esta quinta-feira os serviços de informações russos de recrutarem políticos ucranianos pró-Moscovo para tomarem o poder em Kiev e cooperarem com as forças russas em caso de invasão.

Meios militares
O Departamento de Estado dos EUA autorizou a Estónia, Letónia e Lituânia a transferirem mísseis antitanque e outros meios militares americanos estacionados naqueles países para a Ucrânia.

Negociação
O MNE russo, Sergei Lavrov, que hoje se reúne em Genebra com o homólogo dos EUA, garantiu que a Rússia quer uma solução pacífica para a questão da Ucrânia mas disse ver poucos sinais de acordo.
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