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Correio da Manhã

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Bolsonaro ameaça agir contra o supremo se o juiz que o investiga não for destituído

Magistrado é quem comanda várias investigações contra Bolsonaro, os filhos do presidente e aliados.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 7 de Setembro de 2021 às 17:35
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Adriano Machado / Reuters

Num curto discurso à multidão que se aglomerou a seu pedido na Esplanada dos Ministérios, no centro do poder em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro ameaçou esta terça-feira agir contra o Supremo Tribunal Federal (STF), sem detalhar de que forma, caso este órgão não destitua o juiz Alexandre de Moraes. O magistrado, que não teve o nome citado e foi mencionado como "uma pessoa específica", é quem comanda várias investigações contra Bolsonaro, os filhos do presidente e aliados.

"O juiz específico do STF perdeu as condições mínimas de continuar dentro daquele tribunal. Não podemos aceitar que uma pessoa específica continue a paralisar a nossa nação. Não podemos. Ou esse poder judicial enquadra essa pessoa específica, ou esse poder pode sofrer aquilo que não desejamos", ameaçou o chefe de Estado, enquanto a multidão hostilizava o magistrado, o Supremo Tribunal e o Congresso, que se transformaram em alvos dos bolsonaristas por impedirem o presidente de governar sem limites, como ele queria.

A campanha de Bolsonaro contra o juiz Alexandre de Moraes tem a ver não apenas com os processos que o magistrado comanda contra o clã Bolsonaro e as prisões de aliados do presidente que ameaçaram matar magistrados e destruir o tribunal, mas, talvez principalmente, com as presidenciais de 2022, a que ele é candidato à reeleição. Nesse ano, Alexandre de Moraes assume a presidência do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, a instância máxima da justiça eleitoral brasileira, onde também tramitam investigações contra Jair Bolsonaro por denunciar, por antecipação e sem provas, que essas eleições vão ser fraudadas.

Os atos em Brasília, que tiveram bastante participação popular mas ficaram muito longe do milhão de pessoas que Bolsonaro tinha prometido reunir, terminaram ao início da tarde desta terça-feira, feriado do Dia da Independência, sem as invasões ao Supremo Tribunal e ao Congresso que aliados do presidente tinham ameaçado. A polícia, que durante a madrugada foi apanhada de surpresa pela chegada de grande número de seguidores de Bolsonaro, que romperam as barreiras de segurança e se aproximaram perigosamente desses órgãos, conseguiu recuperar-se, reforçou as barreiras e evitou o pior.

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