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Bolsonaro ameaça: "Quem quer a paz prepare-se para a guerra"

Presidente brasileiro está a convocar seguidores para irem às ruas de Brasília e de São Paulo a 7 de setembro, Dia da Independência.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 2 de Setembro de 2021 às 14:49
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil FOTO: Adriano Machado / Reuters

Numa declaração ambígua mas que foi interpretada como mais uma das muitas ameaças que tem feito nos últimos tempos à Democracia, o presidente Jair Bolsonaro aconselhou esta quarta-feira no Rio de Janeiro os que defendem a paz a prepararem-se para a guerra. Bolsonaro está a convocar seguidores para irem às ruas de Brasília, a capital do país, e de São Paulo, a cidade mais importante, no próximo dia 7, Dia da Independência, e há rumores de que o Congresso e o Supremo Tribunal poderão ser invadidos e ocupados.

"Com flores não se ganha a guerra não, pessoal. Quando se fala em armamento, quem quer a paz prepare-se para a guerra", declarou Jair Bolsonaro ao entregar medalhas a atletas militares que se destacaram nos Jogos Olímpicos de Tóquio, deixando de fora desportistas civis que também alcançaram grandes feitos nesses jogos.

A frase foi interpretada nos meios políticos como uma reafirmação do presidente de que em 7 de Setembro pretende ir para o tudo ou nada, inclusive promovendo uma ruptura democrática, para poder governar sem os limites que lhe têm sido impostos pelo Supremo Tribunal e pelo Congresso. Nas mensagens de convocação dos atos, defende-se o fechamento daquele tribunal e do parlamento e até uma intervenção militar que eternize Bolsonaro no poder com poderes ilimitados.

Fontes militares têm garantido sob anonimato que as Forças Armadas, não obstante apoiarem Bolsonaro e serem subordinadas a ele, não aceitarão participar num golpe. Mas Bolsonaro tem outras forças poderosas, que o apoiam maciçamente, como camionistas, que já ameaçaram cercar e invadir Brasília com milhares de camiões e obrigar os juizes do Supremo Tribunal a renunciar aos cargos, e agentes das polícias de todos os estados, que já manifestaram a intenção, nomeadamente em São Paulo, de irem para os actos em apoio ao presidente armados, prontos para o que for necessário.
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