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Bolsonaro diz que as Forças Armadas não cumpririam uma "ordem absurda" mesmo que ele a desse

Presidente do Brasil nega que tenha o desejo de desencadear um golpe de Estado.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 27 de Setembro de 2021 às 19:06
 Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil FOTO: Reuters

Negando mais uma vez que tenha o desejo de desencadear um golpe de Estado, que por inúmeras vezes ameaçou até ao dia 8 passado, quando foi obrigado a recuar e pedir desculpa ao Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou esta segunda-feira que, mesmo que desse uma "ordem absurda", as Forças Armadas não obedeceriam. Dia 7 passado, aniversário da Independência do Brasil, milhares de seguidores fanáticos do presidente ocuparam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, inclusive com 101 camiões de grande porte, tentaram pelo menos sete vezes invadir o prédio do Supremo Tribunal Federal e Bolsonaro, ao discursar, apelou à desobediência civil.

"As Forças Armadas estão aqui. Elas estão ao meu comando, sim, ao meu comando. Se eu der uma ordem absurda, elas vão cumprir? Não. Nem a mim nem a governo nenhum."-Declarou Jair Bolsonaro em cerimónia no palácio presidencial, em Brasília, comemorativa dos seus mil dias de governo, ao lado de ministros e dos comandantes dos três ramos militares.

Com a declaração, Jair Bolsonaro tentou desfazer a imagem de autoritário golpista e de radical de extrema-direita que ele mesmo cultivou nestes mais de dois anos e meio de mandato, durante os quais fez questão de repetir incessantemente que quem manda é ele e que se não for obedecido adotará ações não democráticas. Desde o dia 8, porém, aconselhado pelo ex-presidente Michel Temer um dia após o Brasil quase ter sofrido um golpe, que se diz só não ter acontecido porque exatamente as Forças Armadas recusaram aderir ao projeto de Bolsonaro, o presidente tem feito de tudo para mostrar ser um democrata, obediente à Constituição, e deixou de atacar o Supremo Tribunal, a justiça eleitoral e o Congresso.

"Alguns criticam que eu botei militar de mais no governo, mais até, proporcionalmente, do que os governos militares de Castelo Branco e Figueiredo (dois generais que presidiram o Brasil durante a ditadura, de 1964 a 1985). Sim, é verdade, é meu círculo de amizades. Assim como de outros governos foram outras pessoas, eram o círculo de amizade deles."-Completou Jair Bolsonaro, justificando a presença de mais de seis mil militares, da ativa e da reserva, no seu governo, entre eles vários ministros.

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