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Correio da Manhã

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Bolsonaro evoca Deus, Pátria e Família no discurso de Natal mas ignora Covid-19 e aumento da miséria

PR brasileiro não falou da pandemia de Covid-19, que diminuiu bastante no Brasil até Novembro passado mas que em Dezembro voltou a explodir devido à variante Ómicron.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 25 de Dezembro de 2021 às 15:22
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

No seu tradicional discurso de Natal em rede nacional de rádio e televisão, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, evocou insistentemente Deus, enalteceu a importância da família, da Pátria e da liberdade, mas ignorou completamente as duas maiores tragédias que o Brasil vive neste momento, a Covid-19 e o brutal aumento da miséria e da fome no país. O curto discurso de Bolsonaro à Nação foi feito de uma forma inusitada, com o presidente começando as frases e a mulher dele, Michelle Bolsonaro, uma evangélica fervorosa que também invocou Deus repetidamente, continuando e fazendo a maior parte das declarações.

O tom religioso do discurso ficou patente logo na primeira frase, com Bolsonaro a dizer que "Sob a protecção de Deus, chegámos a mais um Natal". Depois, o governante tentou justificar a situação extremamente difícil em que vivem neste momento milhões de famílias brasileiras, alegando que 2021 foi "mais um ano de muitas dificuldades", como se o seu governo não tivesse culpa alguma no brutal aumento da miséria, da fome generalizada e da violência.

Mas logo em seguida, o chefe de Estado e candidato à reeleição nas presidenciais de 2022 garantiu que fez tudo o que estava ao seu alcance para ajudar os mais desfavorecidos, o que é fortemente contestado pela sociedade civil, pela Igreja Católica e até pelo Supremo Tribunal Federal. "Não nos faltaram seriedade, dedicação e espírito fraterno no planeamento e construção de políticas públicas em prol de todas as famílias", avançou o presidente, negando a realidade.

Em 2021, o governo Bolsonaro extinguiu um auxílio emergencial equivalente a 92 euros que foi pago ao longo de 2020 para as famílias poderem enfrentar a paralisação do país provocada pela Covid-19 alegando que a pandemia este ano já estava sob controle e que o país tinha voltado a crescer, o que é desmentido até pelos dados oficiais. Em 2021, o número de famílias ajudadas pelos programas sociais do governo caiu de 64 para 14 milhões, e o valor do auxílio mensal ficou, em média, em 34 euros até Novembro, passando este mês de Dezembro para 62,5 euros por mês.

O chefe de Estado não falou em momento algum na pandemia de Covid-19, que realmente diminuiu bastante no Brasil até Novembro passado mas que em Dezembro voltou a explodir devido à variante Ómicron e que já matou mais de 618 mil brasileiros e infectou mais de 22 milhões. Nem no brutal aumento da miséria e da fome generalizada, que levou para as ruas de grandes e pequenas cidades famílias inteiras "abrigadas" sob viadutos ou em barracas improvisadas com lençõis, e faz milhões de pessoas procurarem comida no lixo deixado por outras nas ruas ou disputarem carne estragada e ossos que os talhos antigamente deitavam fora mas agora, num gesto de insensibilidade e ganância, passaram a vender.
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