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Bolsonaro recebe em brasília extremista alemã de direita neta de ministro de Hitler

Reunião entre o presidente do Brasil e Beatrix não foi informada antecipadamente nem foi inserida na agenda do chefe de Estado.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 27 de Julho de 2021 às 13:22
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

Numa nova exibição do pouco respeito que nutre pela Democracia, tanto a brasileira quanto a de outros países, o presidente Jair Bolsonaro recebeu efusivamente no Palácio do Planalto, a sede do poder em Brasília, uma radical de extrema direita alemã fortemente contestada até no seu próprio país. Beatrix Von Storch, deputada e vice-líder do partido de extrema-direita Alternativa Pela Alemanha (AFD), é neta de Johann Ludwig Schwerlin Von Krosigk, ninguém menos do que o poderoso ministro das Finanças de Adolf Hitler.

Nesse cargo, que ocupou por 12 anos, o avô materno da extremista recebida por Jair Bolsonaro tornou-se uma das figuras mais importantes da Alemanha nazi, sendo após o fim do sangrento regime condenado por crimes contra a Humanidade no famoso Julgamento de Nuremberga. O outro avô de Beatrix também serviu à Alemanha nazi, comandando a S.A., uma das mais temidas milícias armadas de que Hitler se utilizava para espalhar o terror.

Esta segunda-feira, Jair Bolsonaro publicou nas suas redes sociais fotos suas ao lado de Beatrix e do marido dela, e elogiou a parlamentar alemã. Já Beatrix, também nas suas redes sociais, agradeceu a forma cordial como foi recebida pelo presidente brasileiro, e elogiou o que considerou a forma clara como Bolsonaro compreende a realidade mundial atual e a necessidade de os conservadores atuarem cada vez mais unidos para conterem o avanço da esquerda.

A reunião entre Bolsonaro e Beatrix não foi informada antecipadamente nem foi inserida na agenda do chefe de Estado brasileiro, para evitar protestos. Bolsonaro esperou Beatrix deixar Brasília para publicar as fotos ao lado dela.

O Alternativa Pela Alemanha, de que Beatrix é vice-presidente, é um partido ultra-radical de direita, que é acusado na Alemanha de conspirar contra o regime e as instituições democráticas. Por isso é o primeiro, e único, até agora, partido alemão a ser monitorizado oficialmente pelos serviços secretos do país desde 1945, quando terminou a Segunda Grande Guerra, podendo a inteligência alemã fazer escutas de ligações entre os seus líderes e seguir-lhes os passos.

Devido ao seu radicalismo, Beatrix e outros líderes do partido não costumam ser recebidos por autoridades de outros países, mas Jair Bolsonaro, também neste caso, fez questão de ser a exceção negativa. A reunião foi fortemente criticada por entidades judaicas brasileiras e alemãs, e a diplomacia da Alemanha ficou bastante irritada com mais este gesto hostil do governante brasileiro, que já por diversas vezes se referiu à chanceler Angela Merkel de forma desrespeitosa.
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