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Centenas de americanos e colaboradores afegãos deixados para trás após retirada dos EUA de Cabul

Chefe do Comando Central dos EUA disse que americanos não conseguiram chegar ao aeroporto a tempo da retirada.
Correio da Manhã 30 de Agosto de 2021 às 22:57
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Centenas de americanos e colaboradores afegãos deixados para trás após retirada dos EUA de Cabul
Centenas de norte-americanos e colaboradores afegãos que queriam deixar o Afeganistão ficaram para trás após a retirada militar dos EUA do país. 

O chefe do Comando Central dos EUA, general do Corpo de Fuzileiros Navais Frank McKenzie revelou que nenhum americano foi retirado nos últimos cinco voos do aeroporto internacional de Cabul, onde a missão de evacuação dos EUA estava localizada e disse que eram "poucas centenas" de americanos que ficaram no país. 

"Mantivemos a capacidade de trazê-los até imediatamente antes da partida, mas não conseguimos trazer nenhum americano", disse McKenzie. "Nenhum deles conseguiu chegar ao aeroporto", justificou. Segundo o general, as forças norte-americanas estiveram disponíveis para retirar qualquer pessoa que alcançasse o aeroporto "até ao último minuto".

Embora todas as tropas americanas tenham deixado o Afeganistão, as autoridades americanas dizem que vão continuar a efetuar esforços diplomáticos para retirar os cidadãos americanos e afegãos em risco. 

O general lamenta ainda pelos que, para já, ficaram para trás: "Há muito desgosto associado a esta partida. Não tiramos todos os que queríamos, mas acho que se ficássemos mais dez dias... não teríamos tirado todos os que queríamos e ainda haveria pessoas que ficariam desapontadas com isso".

Os dois últimos oficiais dos EUA a sair do Afeganistão e entrar numa aeronave militar americana foram o general Chris Donahue, comandante da 82ª Divisão Aerotransportada e principal diplomata dos EUA em Cabul, e o General Kenneth "Frank" McKenzie, o principal general do Comando Central dos EUA.

Retirada do Afeganistão 20 anos depois
Os EUA deixam o Afeganistão de novo nas mãos dos talibãs, cujo primeiro regime (1996-2001) tinham derrubado em dezembro de 2001, quando o grupo extremista se recusou a entregar o então líder da Al-Qaida, Osama bin Laden.

A Al-Qaida reivindicou os ataques de 11 de setembro de 2001, que provocaram quase 3.000 mortos em Nova Iorque, Washington e Pensilvânia.

A retirada das forças internacionais foi negociada com os talibãs, em fevereiro de 2020, e ocorre 15 dias depois de o movimento rebelde ter conquistado Cabul, depondo o Presidente Ashraf Ghani.

A vitória dos talibãs desencadeou uma operação das forças internacionais que permitiu retirar do país mais de 100.000 estrangeiros e afegãos a partir do aeroporto de Cabul.

Com a capital afegã controlada pelos talibãs, a operação foi marcada pelo desespero de milhares de afegãos a querer fugir do país e por ataques do grupo extremista Estado Islâmico, incluindo um atentado bombista que matou cerca de 200 pessoas.

A intervenção dos EUA e dos seus aliados no Afeganistão começou em 07 de outubro de 2001, e contou com o apoio no terreno de forças afegãs que combatiam o regime extremista.

Apesar do derrube do governo dos talibãs, os seus combatentes e elementos da Al-Qaida continuaram a enfrentar as forças afegãs e internacionais, sobretudo no sul do país.

Osama bin Laden, que tinha motivado a invasão, conseguiu escapar ao cerco de forças afegãs em dezembro de 2001, e refugiou-se no vizinho Paquistão.

O líder da Al-Qaida viria a ser morto no Paquistão quase 10 anos depois, em 01 maio de 2011, por militares norte-americanos.

A presença estrangeira no Afeganistão chegou a envolver um pico de 115.000 tropas de uma coligação de 38 países da NATO (sigla do nome inglês da Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Portugal participou com 4.500 militares desde 2002 até maio deste ano, e registou duas baixas.

Segundo dados da ONU citados pela agência France-Presse, mais de 38.000 civis foram mortos no Afeganistão desde 2009, quando a missão das Nações Unidas começou a registar as baixas, até 2020.

Globalmente, segundo dados citados pela Associated Press, a guerra no Afeganistão terá causado mais de 170.000 mortos, incluindo 47.000 civis afegãos, 66.000 membros das forças de segurança afegãs, e 51.000 combatentes dos talibãs e de outros grupos.

As forças internacionais registaram mais de 3.500 mortos, das quais mais de 2.300 norte-americanos.

Os 20 anos de guerra provocaram também mais de 2,7 milhões de refugiados e mais de 3,4 milhões de deslocados internos, segundo a ONU, num país com 37 milhões de habitantes.
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