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Correio da Manhã

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China tenta silenciar ícone do movimento #MeToo

Xianzi não só levou a cabo a sua batalha legal, como também a de outras vítimas de assédio sexual.
27 de Setembro de 2021 às 19:08
Xianzi, cara do moviemento #MeToo na China
Xianzi, cara do moviemento #MeToo na China FOTO: Reuters

Xianzi tinha 21 anos e era estagiária. Zhu Jun era um dos rostos mediáticos mais conhecidos da China. O ator, alegadamente, apalpou repetidamente a jovem durante cinquenta minutos e, apesar desta se ter oposto várias vezes, beijou-a à força. Embora a jovem tenha tentado por várias vezes interromper o momento, não conseguiu dizer nada porque estava paralisada de medo e com vergonha.

Por sua vez, Zhu sempre negou as acusações que a jovem partilhou nas redes sociais e posicionou-se como vítima de uma campanha de difamação e de "terrível humilhação". Xianzi, que foi imediatamente à polícia após o incidente, foi alertada de que não havia necessidade em denunciar o ator, uma vez que este era visto como um exemplo nacional de "energia positiva" e um promotor dos "bons hábitos", ou seja, uma pessoa cuja reputação deveria permanecer imaculada, avançou o BBC News.

Com o seu perfil na rede social Weibo (a versão chinesa do Twitter), em 2018, Xianzi não só levou a cabo a sua própria batalha legal, como também fez campanha por outras vítimas de assédio sexual. A sua comunidade de apoio alcançou mais de 300 mil pessoas e a sua notoriedade tem aumentado na proporção dos esforços das autoridades chinesas em censurá-la.

A sua comunidade foi-lhe retirada quando, após a audiência em tribunal e o seu caso ter sido rejeitado por falta de provas, o seu perfil na rede social foi bloquado. "As contas das ativistas são constantemente suspensas, não tenho maneira de as contactar. Nos últimos três anos, as feministas chinesas foram separadas umas das outras.", confessou.

 

 

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