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De 'asfixiar genitais' a 'cadeira de castigo': Antigo guarda conta horror praticado em cadeia na China

Jiang é o primeiro de dentro dos serviços de segurança chineses a confirmar os relatos de tortura.
Correio da Manhã 17 de Outubro de 2021 às 15:07
Xinjang, polícia
Xinjang, polícia FOTO: Getty Images
Um antigo guarda-prisional chinês partilhou as horríveis torturas que existem dentro das prisões e campos de trabalhos forçados em Xinjang, uma província da China onde cerca de dois milhões de pessoas estão presas. 

O homem contou que alguns métodos eram bastante rudimentares. Utilizavam chicotes, cintos, chutavam e socavam as pessoas, muitas delas, até à morte. 

A polícia tinha também uma série de ferramentas para infligir o máximo de dor aos muçulmanos presos numa prisão específica. Desde uma 'cadeira do castigo' a varas, bastões e correntes eletrificadas ou ainda sufocar presos com sacos de plástico e água. Outra técnica utilizada era colocar um fio em volta dos genitais dos presos para os 'afixiar'.  

Ao Daily Star, Jiang de 39 anos conta que fugiu da China no ano passado e que atualmente se esconde num país da União Europeia, onde busca asilo. 

Há três anos, trabalhou nos 'campos de reeducação' onde muitas minorias muçulmanas da Chinas são torturadas. Jiang é o primeiro de dentro dos serviços de segurança chineses a confirmar os relatos de violência que existiam. 

O homem contou que torturou vítimas de até 14 anos, tentando descobrir se elas tinham tendências subversivas ou revolucionárias antes de as enviar para junto dos outros presos nos campos de internamento da China. 

As forças de segurança, contou ainda, vigiam telemóveis e utilizavam sistemas de câmaras de reconhecimento facial para manter a população sob controlo e para levarem quem quisessem para a tortura.

Apesar de dizer que muitas autoridades na China compartilham sua preocupação com a repressão muçulmana, Jiang explicou que alguns de seus colegas pareciam gostar de praticar os métodos de tortura.
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