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Correio da Manhã

Mundo

Declaração final da Cimeira do Clima de Glasgow faz cedência ao carvão

Delegados de países castigados pelo aquecimento global condenaram a alteração que substituiu fim do carvão pela redução faseada.
Francisco J. Gonçalves 14 de Novembro de 2021 às 09:37
Esforço dos delegados permitiu alguns avanços na COP26
Esforço dos delegados permitiu alguns avanços na COP26 FOTO: YVES HERMAN/Reuters
A Cimeira do Clima de Glasgow prolongou-se durante todo este sábado. Os desentendimentos acentuados quanto à declaração final forçaram esse dia extra de debates, a fim de conseguir um consenso sem sacrificar a declaração de objetivos reais de combate às alterações climáticas na que foi chamada a cimeira da última oportunidade, mas que acabou por ficar muito aquém da necessária aproximação aos objetivos declarados no Acordo de Paris, em 2015.

Os pomos de discórdia foram que referência constaria ao fim do carvão e dos subsídios aos combustíveis fósseis; e que valores de compensação devem ser pagos aos países mais pobres pelo impacto das alterações climáticas, das quais são vítimas e não causadores.

A desilusão que se antecipava na sexta-feira ficou este sábado patente num momento de emoção de Alok Sharma. O presidente da COP26 pediu desculpa aos delegados pela alteração de última hora ao texto e parou para conter as lágrimas. O motivo da desilusão e do pedido de desculpas de Sharma foi sublinhado por países como Maldivas e Antígua e Barbuda, ou até Suíça e Liechtenstein: o acordo para a declaração final foi obtido com a cedência a pressões da Índia que levaram à troca da frase “eliminar o carvão” por “diminuição progressiva” do recurso ao carvão. As compensações às vítimas do aquecimento global ficaram igualmente no vazio, pois não foram fixados valores nem prazos fixos de cumprimento dos pagamentos.
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