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Correio da Manhã

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Desflorestação na Amazónia atinge níveis alarmantes

Governo de Bolsonaro ocultou relatório de outubro que dá conta de um aumento de 22% na devastação da selva amazónica desde o ano passado.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 20 de Novembro de 2021 às 09:51
O abate indiscriminado de árvores põe em causa o ecossistema amazónico e ameaça a sobrevivência de indígenas
O abate indiscriminado de árvores põe em causa o ecossistema amazónico e ameaça a sobrevivência de indígenas FOTO: Ueslei Marcelino/Reuters
A desflorestação na Amazónia aumentou quase 22% (21,97%) de 2020 para 2021 e o governo de Jair Bolsonaro, que sabia disso, ocultou o dado aos governantes e ambientalistas reunidos na COP26, cimeira mundial do ambiente realizada na Escócia este mês. Só agora, após muita pressão da sociedade, o governo divulgou o relatório, datado de 27 de outubro.

De acordo com o relatório do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, entre 1 de agosto de 2020 e 31 de julho deste ano, a Amazónia perdeu 13 235 km2 de área verde, o equivalente a nove vezes o tamanho da megacidade de São Paulo. É a maior área devastada desde 2006, quando a floresta perdeu 14 286 km2 da sua cobertura vegetal, e é o terceiro ano consecutivo de aumento da destruição da floresta em três anos de mandato presidencial de Bolsonaro.

Não obstante estar na Europa nessa altura, Bolsonaro recusou participar presencialmente na COP26, realizada de 31 de outubro a 12 deste mês, mas, em vídeo, afirmou que a Amazónia nunca esteve tão preservada quanto agora e comprometeu-se a acabar com toda a desflorestação até 2030. Já o ministro do Ambiente, Joaquim Leite, pressionado pela imprensa em Glasgow, afirmou que o INPE ainda não tinha emitido o seu relatório anual, mas que os dados que possuía mostravam uma forte queda no desflorestamento, o que agora se revelou falso.
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