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Correio da Manhã

Mundo
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Encontro entre Biden e Putin em Genebra “construtivo e sem hostilidades”

Presidentes acordam diálogo sobre cibersegurança e regresso dos embaixadores.
Ricardo Ramos 17 de Junho de 2021 às 08:34
Vladimir Putin e Joe Biden ignoraram as regras de distanciamento e cumprimentaram-se com um aperto de mão antes da Cimeira de Genebra
Biden abordou assuntos incómodos
Putin irritou-se com jornalistas
Vladimir Putin e Joe Biden ignoraram as regras de distanciamento e cumprimentaram-se com um aperto de mão antes da Cimeira de Genebra
Biden abordou assuntos incómodos
Putin irritou-se com jornalistas
Vladimir Putin e Joe Biden ignoraram as regras de distanciamento e cumprimentaram-se com um aperto de mão antes da Cimeira de Genebra
Biden abordou assuntos incómodos
Putin irritou-se com jornalistas
O muito esperado encontro entre Joe Biden e Vladimir Putin decorreu esta quarta-feira num ambiente “construtivo e franco”, com os os dois presidentes a mostrarem-se satisfeitos com os resultados das cerca de quatro horas de conversações que mantiveram num palacete dos arredores de Genebra, na Suíça. Não houve grandes avanços ao nível da melhoria das relações bilaterais mas os dois líderes “mostraram vontade de entender o outro”, afirmou Putin.

Ambos os lados já tinham avisado que não tinham grandes expectativas para esta cimeira, mas que era positivo que existisse um diálogo direto entre os líderes das duas maiores potências mundiais. “É sempre melhor falar frente a frente”, confirmou Biden à entrada para a reunião com Putin, que acabou por durar menos do que o previsto. Não houve conferência de imprensa conjunta, tendo cada um dos líderes apresentado as suas conclusões em separado.

Putin disse que o diálogo foi “construtivo e sem hostilidades” e elogiou Biden como um estadista “pragmático” e “experiente”, mas ressalvou que “não ficaram amigos”. Já o presidente dos EUA sublinhou o espírito “positivo” das negociações e garantiu que “não houve ameaças”, embora tenha avisado Putin de que haveria “consequências devastadoras” para a Rússia caso o opositor Alexei Navalny morra na prisão ou ‘hackers’ russos ataquem alguma das 16 “infraestruturas críticas” incluídas numa lista que entregou ao presidente russo.

Apesar das divergências, os dois presidentes anunciaram um acordo para fazer regressar os respetivos embaixadores, que tinham sido chamados em março, e para iniciar um diálogo sobre cibersegurança, para além de manifestarem vontade em aprofundar as negociações sobre o controlo dos seus arsenais nucleares após a recente extensão do Acordo START.

pormenores
Vislumbre de esperança
O PR russo disse ter visto um “vislumbre de esperança” de confiança mútua, mas admitiu que “ainda é cedo” para dizer se as relações vão melhorar.

“Putin não quer Guerra Fria”
Biden mostrou-se confiante de que Putin irá ter em conta os seus avisos. “Acho que não está interessado numa Guerra Fria”.

Sem convite
Putin não convidou Biden para visitar a Rússia, tal como o presidente americano não convidou o homólogo russo a visitar os EUA. “Esta não é a altura certa”, disse fonte da Casa Branca.

“Disse a Putin que a minha agenda não é contra a Rússia”
“Quis que o presidente russo entendesse porque digo aquilo que digo e porque faço aquilo que faço”, explicou Biden sobre a abordagem de vários assuntos incómodos para o presidente russo, como a ingerência nas eleições americanas, os ciberataques ou a detenção do opositor Alexei Navalny. “Expliquei a Putin que a minha agenda não é contra a Rússia, mas pelo povo americano, e que, para nós, os direitos humanos estarão sempre em cima da mesa”, afirmou.

Vladimir Putin critica “violência e desordem” nos EUA
Ao ser questionado pelos jornalistas sobre a detenção de opositores, Putin irritou-se e lembrou que os apoiantes de Trump que participaram no assalto ao Capitólio enfrentam penas pesadas por um “protesto político”. Condenou ainda a violência nos EUA - “Podemos levar um tiro sem abrir a boca” - e frisou que não quer ver “motins ou movimentos como o Black Lives Matter na Rússia”.
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