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EUA sancionam primeiro-ministro da Bósnia-Herzegovina por usar dados de reformados em campanha

"Estes atos violam a lei e refletem um padrão mais amplo de usar a sua influência política para ganho pessoal", afirma o Tesouro norte-americano.
Lusa 4 de Outubro de 2022 às 00:02
Departamento de Tesouro dos EUA
Departamento de Tesouro dos EUA FOTO: Reuters
Os Estados Unidos impuseram esta segunda-feira sanções contra o primeiro-ministro da Federação da Bósnia-Herzegovina, Fadil Novalic, por utilizar dados confidenciais de reformados para enviar propaganda eleitoral, divulgou esta segunda-feira o Departamento do Tesouro norte-americano.

"Estes atos violam a lei da Bósnia-Herzegovina e refletem um padrão mais amplo de usar a sua influência política para ganho pessoal ou partidário, minando instituições e processos democráticos", referiu o Tesouro norte-americano em comunicado.

Além de Fadil Novalic, o governo dos EUA também sancionou o proprietário da empresa de engenharia Integral, Slobodan Stankovic, um dos homens mais ricos do país, por corrupção no setor da construção.

Os Estados Unidos acusam Stankovic de aproveitar as suas ligações com as autoridades da Republika Srpska, a entidade dos sérvios da Bósnia, para obter contratos para alguns dos mais importantes projetos de construção da região.

Stankovic é uma figura muito próxima do primeiro-ministro da Republika Srpska, Milorad Dodik, também alvo de sanções pelos Estados Unidos, um destacado político bósnio que o país norte-americano acusa de desestabilizar a região para tentar conseguir a independência do território.

O executivo norte-americano também sancionou a empresa de Stankovic, a Integral.

Como resultado das sanções, todos os bens e interesses de pessoas e empresas designadas que estejam nos Estados Unidos ou na posse ou controlo de pessoas norte-americanas são bloqueados.

A declaração do Tesouro surge uma semana depois do mesmo departamento ter sancionado a procuradora da Bósnia-Herzegovina, Diana Kajmakovic, por ser responsável ou cúmplice de corrupção e por minar processos e instituições democráticas nos Balcãs.

O Tesouro disse que Kajmakovic foi identificada no decurso de uma investigação sobre crime organizado e narcotráfico na Bósnia-Herzegovina. Os investigadores analisaram conversas encriptadas que mencionam o envolvimento da procuradora no apoio a narcotraficantes e outros suspeitos de crimes, disse a agência.

Esta república da ex-Jugoslávia foi a votos no domingo. A Bósnia-Herzegovina possui um dos sistemas eleitorais mais complexos do mundo, herdado dos acordos de paz de Dayton que terminaram com a guerra civil interétnica (1992-1995).

O país está dividido entre a República Srpska (RS), com larga maioria de cristãos ortodoxos, e uma Federação partilhada por bosníacos e croatas (croato-muçulmana na designação inicial) mas espartilhada em dez cantões. As duas entidades estão unidas por um frágil poder central, muitas vezes paralisado.

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