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Europol alerta para efeitos da recessão económica no aumento do crime organizado na UE

Estados-membros e instituições europeias devem fazer "muito mais do que têm feito", defende responsável.
Lusa 12 de Abril de 2021 às 14:29
Catherine De Bolle é diretora da Europol desde março de 2018
Catherine De Bolle é diretora da Europol desde março de 2018 FOTO: CMTV
A Europol manifestou esta segunda-feira grande preocupação com a situação atual do crime grave e organizado na União Europeia (UE), alertando para "o grande potencial" da recessão económica provocada pela pandemia de covid-19 para aumentar este tipo de crimes.

A diretora executiva da Europol, Catherine De Bolle, que intervinha no lançamento do Relatório de Avaliação da Ameaça do Crime Grave e Organizado na UE (SOCTA), disse estar "muito preocupada com as conclusões desta análise" efetuada pela polícia europeia.

Embora os cidadãos europeus apresentem os "níveis mais altos de segurança e prosperidade no mundo", os Estados-membros da UE continuam a enfrentar "graves desafios para a sua segurança interna, que poderão levar ao retrocesso de algumas das conquistas comuns e prejudicar valores e ambições europeias", alertou a responsável.

"A atual crise e queda do potencial económico e social ameaçam criar condições ideais para a disseminação do crime organizado na UE", alertou a responsável, acrescentando que "a pandemia de covid-19 tem atuado como catalisador na emergência dos novos esquemas fraudulentos 'online'".

O relatório hoje divulgado pela Europol demonstra que "as estruturas criminosas são mais fluídas e flexíveis do que anteriormente se pensava e [que] as suas operações são de longo alcance", uma vez que os grupos criminosos atuam a partir do uso de tecnologias e "utilizam comunicações encriptadas para se conectarem uns com os outros".

Na maior parte dos casos -- cerca de 80% dos casos analisados pela Europol -- os grupos criminosos utilizam negócios legais para "facilitar todos os tipos de atividade criminosa", apontou De Bolle.

Também o tráfico de drogas ilegais "continua a dominar o crime grave e organizado na UE", dado que "cerca de 40% dos grupos criminosos reportados eram ativos no tráfico de drogas", enquanto a corrupção "está presente na maior parte, se não todas, as atividades criminosas na UE", sublinhou.

A Europol alertou também para o "aumento contínuo de atividades relacionadas com o abuso sexual infantil 'online'", bem como os "serviços de tráfico de migrantes", uma vez que "o recrutamento de vítimas e a publicidade de serviços ocorrem quase inteiramente no domínio online".

"O que aprendemos com a última recessão económica é que o crime organizado se torna mais forte quando somos confrontados com crises financeiras", apontou Catherine De Bolle, alertando para "o grande potencial" da recessão económica provocada pela pandemia de covid-19 para "facilitar o aumento do crime organizado na UE".

É necessário, por isso, que os Estados-membros e as instituições europeias façam "muito mais do que têm feito", defendeu a responsável, apelando para uma "ação conjunta" dos Estados-membros para combater o crime grave e organizado na UE.

O SOCTA 2021 foi lançado hoje na sede da Polícia Judiciária em Lisboa, evento que contou com também com a presença da comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem e do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

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