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Correio da Manhã

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Execução de Marielle Franco completa um mês sem elucidação

Ativista foi assassinada numa rua do Rio de Janeiro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 14 de Abril de 2018 às 16:13
Marielle Franco
Marielle Franco
Marielle Franco
Marielle Franco
Marielle Franco
Marielle Franco
Marielle Franco
Marielle Franco
Marielle Franco

A brutal execução a tiro no Rio de Janeiro, no Brasil, da vereadora e ativista Marielle Franco e do seu motorista, Anderson Pedro Gomes, completa este sábado um mês sem elucidação por parte das autoridades. Várias cidades do Brasil estão a assinalar a data. Marielle e Anderson assassinados dentro do carro numa rua do bairro do Estácio, na zona norte do Rio, perto das 21 e 30 do dia 14 de Março.

Alegando que a delicadeza do crime exige total discrição, as autoridades policiais, agora subordinadas a um general depois da intervenção militar decretada no estado pelo presidente Michel Temer em Fevereiro, não adiantam detalhes da investigação. Esta semana, o novo secretário da Segurança Pública do Rio, o general Richard Nunes, limitou-se a declarar que as investigações avançam a cada dia e que o número de suspeitos está a afunilar, o que, na verdade, não quer dizer nada.

Depois de ouvidas aproximadamente 100 pessoas, não há suspeitos presos, não há uma linha de investigação absolutamente definida e clara, nem foram apresentados quaisquer indícios palpáveis. No início da semana, uma reportagem do jornal O Globo afirmava que peritos da polícia tinham conseguido detetar em cápsulas das balas que mataram Marielle e Anderson fragmentos de impressões digitais, mas que eram tão microscópicos e parciais que só poderiam ser comparados se realmente o assassino fosse identificado e preso. 

Outra reportagem publicada a semana passada pelo mesmo jornal, revelou uma falha crucial da polícia. Duas testemunhas, que estavam a menos de 15 metros do carro de Marielle quando esta foi assassinada e que, apesar do medo, esperaram pela chegada das autoridades para contarem o que tinham visto, foram expulsas do local pelos primeiros agentes a chegar à cena do crime e nunca foram chamadas pelas equipas para depor. 

A demora a deter suspeitos e a falta de divulgação das diligências têm provocado protestos um pouco por todo o lado, tanto no Brasil como no estrangeiro, incluindo da Amnistia Internacional. Marielle realizava denúncias contra abusos e crimes praticados pela polícia, e existem fortes suspeitas do envolvimento de agentes no crime desta. 
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