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Facebook desmantela rede de 'hackers' palestiniana para controlar jornalistas e ativistas

Anúncio do gigante das redes sociais pode constituir mais um golpe embaraçoso ao partido Fatah, de Abbas.
Lusa 22 de Abril de 2021 às 02:13
Facebook
Facebook FOTO: iStockPhoto
O Facebook anunciou quarta-feira ter desmantelado uma rede de 'hackers' usada pelos serviços secretos do presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmud Abbas, para controlar jornalistas, ativistas de direitos humanos e críticos do Governo.

O anúncio do gigante das redes sociais pode constituir mais um golpe embaraçoso ao partido Fatah, de Abbas, a algumas semanas das eleições legislativas.

O Fatah, já atormentado por disputas internas e mal-estar público, parece prestes a perder poder e influência se a votação ocorrer no próximo mês.

Segundo adianta o Facebook num relatório hoje publicado, elementos vinculados ao Serviço de Segurança Preventiva "usaram contas falsas para criar figuras fictícias" que se apresentam como mulheres jovens, jornalistas e ativistas políticos para tentar "construir confiança com os seus alvos e levá-los a instalar 'software' malicioso ('malware')".

O 'malware', disfarçado de aplicações de 'chat', permite à agência de segurança aceder aos telefones dos alvos, incluindo contactos, mensagens de texto, localizações e até mesmo teclas digitadas, explicou o Facebook.

A rede, com sede na Cisjordânia, tem como alvo pessoas dos territórios palestinianos e da Síria e, em menor medida, da Turquia, Iraque, Líbano e Líbia.

É uma "ameaça persistente que se concentrou numa ampla gama de alvos, incluindo jornalistas, pessoas que se opõem ao Governo liderado pelo Fatah, ativistas de direitos humanos e grupos militares, incluindo a oposição síria e militares iraquianos", refere o documento.

Quase 800 pessoas foram alvo desta rede, afirmou o chefe de investigações de espionagem cibernética do Facebook, Mike Dvilyanski, sem adiantar pormenores sobre a forma como as informações foram recolhidas.

A empresa admitiu, no entanto, não ser possível dizer quantas pessoas fizeram 'download' do 'malware' ou determinar o que a agência de segurança fez com as informações, mas, de acordo com Mike Dvilyanski, o esquema usou outras plataformas online, o que pode aumentar o número de alvos em causa.

Por enquanto, nenhum responsável da agência de segurança reagiu ao relatório.

O Facebook também anunciou ter detetado uma segunda rede nos territórios palestinianos ligada a um grupo conhecido como "Arid Viper", mas sem esclarecer quem está por trás do grupo ou qual o destino das informações recolhidas.

Esta rede tinha como alvo era um grupo menor de pessoas, mas usava técnicas um pouco mais sofisticadas que permitiam ter acesso às câmaras e microfones dos computadores, disse o Facebook.

Dvilyanski descreveu ambas as redes como tendo "baixa sofisticação", mas com "alta persistência" e adiantou que as atividades do Serviço de Segurança Preventiva foram detetadas em 2018, tendo aumentado de intensidade nos últimos seis meses.

Mahmud Abbas anunciou em janeiro que queria realizar as primeiras eleições palestinianas em 15 anos.

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