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Fidel Castro: de filho ilegítimo a herói da revolução

Símbolo da revolução cubana morreu no dia em que se assinalaram os 60 anos da partida do navio que, em 1956, levou do México para Cuba Fidel Castro, Che Guevara e outros revolucionários.
Francisco J. Gonçalves 27 de Novembro de 2016 às 01:45
Fidel Castro
Fidel Castro FOTO: Reuters
Fidel Castro, revolucionário e ditador de Cuba, é figura maior da história do séc. XX. Personalidade controversa, é para uns o herói que devolveu Cuba ao povo e para outros o ditador que condenou esse mesmo povo à miséria.

Fidel Alejandro Castro Ruz, nascido a 13 de agosto de 1926 em Birán, região oriental de Cuba, parecia destinado a uma vida apagada de fazendeiro. Filho ilegítimo do imigrante galego Ángel Castro com a amante e empregada da quinta de Birán, Lina Ruz González, que veio a ser a segunda mulher de Ángel, Fidel foi um de sete irmãos.

Entrou em choque com o pai desde cedo e foi enviado aos seis anos para Santiago de Cuba, entregue a um tutor. Estudou em escolas católicas jesuítas, em Santiago e em Havana, destacando-se como aluno excelente e aplicado.

A partir de 1945 cursou Direito, em Havana, e foi na universidade que, influenciado pelo ativismo reinante, entrou nas lutas estudantis. Mas seria em 1950, já advogado, que iniciou verdadeiramente a atividade política nas fileiras do Partido Ortodoxo, pelo qual concorreu ao Congresso, em 1952.

Fidel acreditou desde cedo estar predestinado a ser líder e a ter um papel importante no Mundo. E a História deu-lhe um bilhete de entrada quando o antigo sargento Fulgencio Batista, revolucionário e crítico dos EUA, tomou o poder em Cuba, num golpe de Estado, em março de 1952.

Fidel reagiu à inércia dos partidos e tentou promover uma insurreição popular contra o golpista. Em 1953 encabeçou o assalto ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, que se saldou por um fracasso. Dos 135 elementos do comando armado, 67 foram mortos. Fidel foi detido e julgado, sendo condenado a 15 anos de cadeia. Durante o julgamento, no qual assumiu a sua própria defesa, proferiu um discurso que ficou célebre pela frase: "A História absolver-me-á".

Uma amnistia deixou-o em liberdade em 1955. Fidel partiu para o exílio e conheceu, no México, o revolucionário argentino Che Guevara. Ambos planearam o famoso desembarque do ‘Granma’, que em 1956 colocou em Cuba o punhado de guerrilheiros que deu início à guerra civil que derrubaria Batista. Mas, para o conseguir, Fidel e Che combateram duramente na Sierra Maestra até à entrada triunfal em Havana, a 1 de janeiro de 1959.

Quando desceu da serra para tomar o poder, Fidel, ou ‘El Comandante’, era já um mito. O meio século que passou na chefia autoritária de Cuba fez dele aliado de conveniência da União Soviética na Guerra Fria. Para trás deixa um país dividido e em ruínas, órfão de um herói que submeteu tudo à sua vontade e à cegueira de uma utopia.
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