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Filho de 14 anos mata um dos homens mais ricos do Brasil para defender a mãe de agressão

Empresário era um homem extremamente violento, tanto com a mulher quanto com os filhos, denunciou o jovem quando confessou o crime.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 4 de Agosto de 2021 às 17:15
Fabrício César de Oliveira
Fabrício César de Oliveira FOTO: SBT

Um milionário brasileiro, Fabrício César de Oliveira, dono de um império que engloba diversos negócios no Brasil e no Paraguai e de uma gigantesca fábrica de som automotivo na China com milhares de funcionários, foi morto a tiro pelo próprio filho, um adolescente de 14 anos, na tarde desta terça-feira na luxuosa mansão da família na cidade de Valinhos, a 90 km de São Paulo.

Na Divisão de Homicídios de Valinhos, onde foi autuado por homicídio mas autorizado a aguardar a tramitação do processo em liberdade, o adolescente alegou que atirou contra o próprio pai para defender a mãe, que, segundo ele, era constantemente agredida pelo marido.

Na versão contada à polícia pelo adolescente, o empresário era um homem extremamente violento, tanto com a mulher quanto com os filhos, ele e um irmão de apenas três anos. Esta terça-feira, ainda de acordo com o adolescente, o pai ordenou-lhe que tirasse toda a roupa, pois ia apanhar uma sova com uma barra de ferro, a mãe acudiu e o empresário voltou a sua fúria contra ela.

Cansado de ser espancado e de ver a mãe ser agredida repetidamente, o adolescente, mais uma vez de acordo com o seu depoimento à polícia, empunhou uma das armas do pai e atirou três vezes contra ele. Fabrício ainda tentou escapar, correndo para a garagem apesar de muito ferido e tentou fugir no seu carro, mas não conseguiu e morreu no local pouco depois de a polícia chegar.

O filho assumiu o crime aos agentes e revelou que, um dia antes, em mais uma sessão de selvajaria, o pai tinha enfiado o cano de uma arma na boca da mãe, ameaçando matá-la, e depois obrigou-a e ao adolescente a ajoelharem no chão dizendo mais uma vez que ia executá-los, o que acabou por não fazer.

Na mansão, localizada num condomínio de luxo onde só vivem milionários, a polícia encontrou ao todo oito armas de fogo, entre elas um fuzil militar e uma sub-metralhadora. Segundo o filho, o empresário deixava as armas espalhadas em pontos estratégicos da mansão, tanto para ameaçar a família quanto como se esperasse ter de usá-las para se defender de um ataque.

Amante e colecionador de carros velozes e de altíssimo padrão, Fabrício era presidente da Câmara de Comércio Brasil-China. O empresário enfrentava processos na justiça por burla e por, após essa acusação, ter mudado de identidade, não se sabendo ainda ao certo como o conseguiu.
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