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"Foi uma boa pausa de tudo": Dupla de homens resgatada após 29 dias perdida no mar

Sobreviveram com laranjas, cocos e água da chuva.
Correio da Manhã 8 de Outubro de 2021 às 18:33
Ilhas Salomão
Ilhas Salomão FOTO: Getty Images

Dois homens das Ilhas Salomão passaram 29 dias perdidos no mar depois do seu GPS se ter avariado. A dupla, que tinha iniciado uma viagem de barco a 400 quilómetros de distância, foi resgatada na costa da Papua-Nova Guiné.

Livae Nanjikana e Junior Qoloni partiram numa pequena lancha da Ilha Mono, a maior ilha das Ilhas Salomão, na manhã de 3 de setembro. Os viajantes tinham como objetivo viajar até a cidade de Noro, numa das ilhas da nação, a Ilha Nova Geórgia.

"Já tínhamos feito a viagem antes e supostamente deveria ter corrido tudo bem", disse Nanjikana. Porém, mesmo para marinheiros experientes, como Nanjikana, o Mar de Salomão, que separa as Ilhas da vizinha Papua-Nova Guiné, é conhecido por ser violento e imprevisível.

Após algumas horas de viagem, os viajantes enfrentaram chuva e ventos fortes que tornaram difícil ver o litoral pelo qual se estavam a guiar. "Quando veio o mau tempo, a situação dificultou-se, mas piorou, e tornou-se assustadora, quando o GPS deixou de dar", disse um dos homens. "Não conseguíamos ver para onde estávamos a seguir, então decidimos desligar o motor e esperar, de modo a economizar combustível."

Sobreviveram com laranjas que empacotaram para a viagem, cocos que colheram do mar e água da chuva que apanharam com um pedaço de lona. Andaram à deriva cerca de 400 quilómetros para noroeste durante 29 dias e acabaram por encontrar um pescador na costa da Nova Bretanha.

"Não sabíamos onde estávamos, mas não esperávamos estar noutro país", disse Nanjikana.

Devido às dificuldades que enfrentaram, os homens apresentavam um estado de fraqueza agravado. Com efeito, quando chegaram à cidade de Pomio, na Papua-Nova Guiné, a 2 de outubro, tiveram de ser retirados do barco e acolhidos numa casa próxima.

Mais tarde, foram avaliados numa clínica de saúde local e encontram-se agora hospedados na casa de um local.

Nanjikana confessou que retirou alguns aspetos positivos da experiência, como ter sido forçado a uma pausa do 'caos' resultante da atual pandemia. "Eu não tinha ideia do que estava a acontecer enquanto estava lá fora. Não soube de notícias sobre a Covid-19 ou qualquer outro assunto", disse ele. "Estou ansioso para voltar para casa, mas acho que foi uma boa pausa de tudo."

Ilhas Salomão Papua-Nova Guiné resgate
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