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Frio extremo obriga São Paulo a acolher sem-abrigo no Metro e a montar tendas de emergência nas ruas. Veja as imagens

Em muitos bairros brasileiros, a sensação térmica ficou abaixo dos zero graus.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 29 de Julho de 2021 às 16:56
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O frio extremo que se abateu sobre a cidade brasileira de São Paulo, pouco acostumada a essas temperaturas, obrigou as autoridades municipais e estaduais a medidas de emergência para tentar ao menos aliviar o sofrimento de quem vive nas ruas ou não tem o que comer ou como se agasalhar. Na madrugada desta quinta-feira, a temperatura oficial na maior cidade do Brasil ficou em média em três graus positivos, mas em muitos bairros, principalmente os mais afastados do centro, a sensação térmica, ou seja, a que as pessoas realmente sentem, ficou bem abaixo dos zero graus.

Para a próxima madrugada, desta quinta para sexta, a previsão oficial é ainda mais assustadora, estimando-se que faça apenas um grau positivo, em média, com sensação térmica de cinco a seis graus negativos na periferia. A massa de ar polar que se abateu por São Paulo e todo o sul e sudeste do Brasil, a mais rigorosa em décadas, chegou na quarta-feira e só deve começar a atenuar o frio extremo na próxima semana.

O governador do estado de São Paulo, João Dória, determinou a abertura de uma grande estação do Metro no centro da cidade, a Pedro II, no Parque D. Pedro II, local onde se concentram muitos sem abrigo, para acolher ao menos 400 pessoas nessa situação. Na estação, onde poderão ficar abrigados das 20 horas de um dia até às oito da manhã do dia seguinte, os sem abrigo terão camas, água, comida e casas de banho químicas.

Já a Prefeitura (o governo municipal) de São Paulo abriu emergencialmente mais 900 vagas em abrigos para acolher pessoas em situação de vulnerabilidade na rua. Além disso, foram montadas cinco mega-tendas em outros tantos pontos estratégicos da capital paulista onde há grande concentração de sem abrigo, nomeadamente na Praça da Sé, no centro histórico, Praça Princesa Isabel, na Luz, e no bairro de São Mateus, no extremo leste da cidade.

Essas tendas, que foram instaladas ao longo do dia de quarta-feira, vão funcionar 24 horas por dia pelo menos até à próxima segunda-feira, dia 2 de Agosto. Nelas, sem abrigo e outras pessoas carenciadas poderão conseguir água, alimentos quentes, inclusive almoço, jantar e sopa na ceia, café, chá e chocolate, agasalhos, cobertores térmicos e meias grossas adquiridas pela edilidade ou doadas por empresários, e até ter atendimento médico.

Desde o início do Inverno brasileiro, em 21 de Junho passado, pelo menos 13 sem abrigo morreram de frio na cidade de São Paulo, e isso em dias em que as temperaturas, apesar de baixas, foram muito mais elevadas do que as desta semana. A Prefeitura de São Paulo calcula que ao menos 25 mil pessoas vivam nas ruas da cidade, mas entidades que representam os sem abrigo afirmam que esse número é bem superior, de ao menos 58 mil, e que as medidas governamentais chegaram tarde e são insuficientes.

No sul do Brasil, onde normalmente já faz muito frio e as pessoas estão habituadas, mesmo assim as últimas madrugadas foram difíceis, dado o frio extremo e as grandes nevascas, que fizeram a alegria da multidão de turistas que correu para as cidades de serra mas destruiu muitas lavouras. No estado do Rio Grande do Sul, o mais ao sul do Brasil e mais perto do Pólo Sul, registaram-se nevascas em ao menos 31 cidades na quarta-feira e madrugada desta quinta e geadas intensas em outras 20, e no estado vizinho, Santa Catarina, além de neve intensa, várias estradas tiveram de ser interrompidas porque, simplesmente, tinham congelado com temperaturas negativas que provocaram sensação térmica de até 20 graus abaixo de zero.
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