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"Fui raptada e mantida num caixão durante sete anos": O relato de uma sobrevivente mantida em cativeiro

Jovem só era libertada para ser violada e torturada.
Correio da Manhã 25 de Janeiro de 2021 às 12:38
Colleen Stan
Colleen Stan FOTO: Youtube
Colleen Stan tinha apenas 20 anos quando decidiu pedir boleia para ir a uma festa de aniversário de um amigo. Ao ver um casal com um bebé a abrandar para lhe oferecer boleia, a jovem não suspeitou do que viria a acontecer nas horas que se seguiriam.

Nada lhe causou estranheza ou suspeita de que aquele aparente casal feliz procurava uma "escrava sexual". 

A jovem relata agora, em entrevista à People Magazine, como tudo aconteceu a 19 de maio de 1977. 

Ao deparar-se com aquela oferta de boleia, a jovem entrou no carro, sentou-se nos bancos de trás, mas rapidamente se começou a sentir desconfortável. Quando o condutor do carro Cameron Hooker, de 23 anos, parou para a deixar ir à casa de banho de uma estação de serviço, Colleen sentiu que tinha de fugir. 

"Uma voz disse-me para fugir e saltar pela janela sem olhar para trás", conta. 

Uma caixa que estava no banco ao lado da jovem, com um buraco no meio, foi um 'alerta vermelho' para a norte-americana. Só mais tarde perceberia que aquela mesma caixa serviria para lhe ser colocada na cabeça. "Fui raptada e mantida num caixão durante sete anos", afirma. 

Hooker, serralheiro de profissão, tinha preparado aquela caixa, forrada com isolamento acústico para a manter quieta. Depois, o raptor amarrou-a e amordaçou-a, colocando também a cabeça da jovem dentro da caixa.

Foi levada para a casa do casal em Red Bluff, na Califórnia, pendurada nas vigas do sótão da casa com correntes e agredida sexualmente. Ao mesmo tempo, Hooker fazia sexo com a parceira, Janice, abaixo da vítima em "celebração".

"A Janice viu o Cameron a torturar-me e fizeram sexo à minha frente. Eu estava convencida de que me matar", desabafa. No entanto, o terror só então tinha começado. 

Durante os sete anos em que esteve mantida em cativeiro, Colleen esteve presa 23 horas por dia dentro de uma caixa, parecida com um caixão, de onde só saia para ser violada, torturada, espancada, eletrocutada ou esticada numa prateleira.

Foi Hooker que construiu aquela caixa do horror. Colleen passou fome, não tinha água e era forçada a aguentar temperaturas de até 38 graus no verão.

Além de todo o terror físico, o raptor ainda fez com que a jovem acreditasse que ele trabalhava para uma organização chamada 'The Company', que mataria não só Colleen como também a sua família caso ela fugisse.

Hooker foi ainda mais longe e levou-a a assinar um "contrato de escravidão" onde tinha permissão para sair da caixa com mais frequência para cuidar dos filhos e ajudar nas tarefas domésticas.

Três anos depois do sequestro, Hooker levou Colleen a ver os pais, porém, o medo era tão grande que o raptor fez-se passar por seu namorado.

Hooker tornou Colleen na sua segunda mulher e Janice, irritada, revelou a Colleen que a tal empresa para onde alegadamente trabalhava Hooker não era real. A mulher revelou ainda a Colleen que também havia sido violada e torturada desde que conheceu o serralheiro quando tinha 15 anos. Segundo a mulher, Hooker só concordou em parar de a torturar se se tornasse sua escrava.

Foi Janice quem finalmente libertou Colleen, deixando-a numa estação de autocarros antes de fugir com os filhos em 1984. Colleen não denunciou o seu raptor fê-lo Janice, três meses após a fuga.

Hooker condenado a 104 anos, mas poderia ser condenado à liberdade condicional já em 2021 devido à Covid-19.

Colleen, atualmente com 62 anos, tem lutado para seguir em frente. 

A sua história foi contada no filme 'Girl in the box' (Rapariga na caixa). 

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