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Ganância em detrimento da segurança na origem do voo fatal de Emiliano Sala

Corpo do antigo futebolista de 28 anos foi encontrado na carcaça da aeronave mais de duas semanas após o acidente.
Lusa 19 de Outubro de 2021 às 19:22
Emiliano Sala
Emiliano Sala FOTO: Reuters
O ministério público britânico acusou esta terça-feira o homem que organizou o voo fatal para o futebolista Emiliano Sala de ter agido por dinheiro, descurando a segurança, resultando daí o acidente no Canal da Mancha.

Segundo a acusação, David Henderson, de 67 anos, e que também é piloto, agiu com negligência na organização dos voos "quando a aeronave não estava autorizada a fazê-lo e quando utilizou um piloto não qualificado ou competente".

Em 2019, o avançado argentino do FC Nantes foi transferido para o Cardiff City por 17 milhões de euros e Henderson organizou, como operador, os voos de regresso de Cardiff a Nantes e da cidade gaulesa de volta ao País de Gales dois dias depois.

Ocupado e assim impossibilitado de voar a aeronave, David Henderson delegou essa missão num colega sem experiência nem capacidade para enfrentar as condições climatéricas severas que resultaram na queda na noite de 21 de janeiro.

A aeronave, um Piper PA-46 Malibu, privado, seria pilotada por David Obbotson, de 59 anos, cujo corpo nunca apareceu.

"Ibbotson não tinha uma licença de piloto comercial, a sua qualificação para [este] tipo de aeronave tinha expirado em novembro de 2018 e ele não era competente para voar nas condições meteorológicas que David Henderson conhecia", vincou o promotor público, Martin Goudi.

O piloto perdeu o controlo da aeronave, que partiu durante o voo, durante uma manobra realizada em velocidade muito alta, "provavelmente" destinada a evitar o mau tempo para poder voar à vista, disse em março de 2020 o relatório final do British Aircraft Accident Investigation Bureau (AAIB).

O corpo do antigo futebolista de 28 anos foi encontrado na carcaça do aparelho mais de duas semanas após o acidente, a 67 metros de profundidade, já depois das buscas oficiais terem terminado; seria a família a prosseguir com esse trabalho, que seria bem-sucedido.

O desastre comoveu o mundo do futebol e terá contribuído para o enfarte que vitimou o pai do atleta, somente três meses depois.

O julgamento, que começou na segunda-feira, deve durar duas semanas.

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