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Governo britânico recusa confirmar saída de Portugal da lista vermelha

Jornal Daily Telegraph revelou este sábado que o anúncio oficial deverá ser feito pelo ministro dos Transportes na segunda-feira.
Lusa 13 de Março de 2021 às 14:31
Coronavírus no Reino Unido
Coronavírus no Reino Unido FOTO: Getty Images
O Ministério dos Transportes britânico recusou confirmar, mas também não desmentiu, a notícia de que Portugal vai ser retirado da "lista vermelha" de países cujos viajantes estão sujeitos a quarentena em hotéis no Reino Unido. 

"As decisões de introduzir ou remover países da lista vermelha são uma resposta direta aos dados científicos e médicos mais recentes que mostram um risco agravado para a saúde pública do Reino Unido e transmissão para a comunidade", disse à agência Lusa um porta-voz do Ministério.

"Tal como acontece com todas as nossas medidas relativas ao coronavírus, mantemos a lista vermelha sob avaliação constante e a nossa prioridade continua a ser proteger a saúde do público do Reino Unido", acrescentou. 

O jornal Daily Telegraph noticiou este sábado que Portugal vai ser retirado da "lista vermelha", devendo o anúncio oficial ser feito pelo ministro dos Transportes, Grant Shapps, na segunda-feira.

A notícia, também avançada pelos jornais Daily Mail e Independent, acontece dias depois de o Governo português anunciar o plano de desconfinamento no país, com a reabertura, já na segunda-feira, de creches, ensino pré-escolar, escolas do 1.º ciclo de ensino, comércio ao postigo e estabelecimentos de estética, como cabeleireiros.

Haverá novas fases de reabertura em 05 e 19 de abril e em 03 de maio, mas as medidas podem ser revistas sempre que Portugal ultrapassar os "120 novos casos por dia por 100 mil habitantes a 14 dias" ou que o índice de transmissibilidade (Rt) do vírus SARS-CoV-2 ultrapasse 1.

Na sexta-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGA) registou 15 mortes relacionadas com a covid-19, o número mais baixo desde 20 de outubro, e 577 novos casos de infeção com o novo coronavírus. 

Portugal é o único país europeu entre 33 países maioritariamente africanos e sul-americanos cujas viagens foram proibidas, exceto para nacionais ou residentes, para reduzir o risco de importação de variantes do coronavírus mais infecciosas e resistentes às vacinas, como as descobertas no Brasil e África do Sul.  

Os viajantes dos países da chamada "lista vermelha", que incluem também o Brasil, Angola, Cabo Verde e Moçambique, são obrigados a cumprir quarentena de 10 dias num hotel designado pelas autoridades e pagar o custo de 1.750 libras (2.030 euros).

A medida foi introduzida em 15 de fevereiro, mas o Reino Unido já tinha suspendido os voos diretos de Portugal em 15 de janeiro, medida que o Portugal reproduziu em 23 de janeiro.

Uma petição ao parlamento britânico para convencer o Governo britânico a retirar Portugal da lista reuniu mais de 24 mil assinaturas numa semana, tendo ultrapassado a barreira das 10 mil que implica uma resposta do executivo.

A inclusão de Portugal na lista de países sujeitos a quarentena em hotéis foi considerada "discriminatória" pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que falou por telefone com o homólogo britânico, Dominic Raab, no início do mês. 

O Governo britânico começou a aliviar o confinamento em Inglaterra na segunda-feira, com a reabertura das escolas, mas disse que pretende continuar a proibir as viagens não essenciais para o estrangeiro, nomeadamente para férias, até 17 de maio. 

Até 12 de abril, o ministro dos Transportes está a liderar um grupo de trabalho para produzir um estudo com recomendações para o restabelecimento do seguro de viagens internacionais, incluindo a eventual introdução de certificados de vacinação.

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, disse à BBC, no inicio deste mês, que Portugal espera poder abrir as fronteiras e o turismo aos britânicos em maio.

Segundo a responsável, "vai acontecer em breve, dentro de uns dois meses, talvez em maio, início de maio", acrescentou, garantindo que pretende ter "tudo pronto para permitir aos britânicos visitarem o país".

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