Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
6

Há igualdade de género nos prémios de investigação científica? Há um estudo que diz que não

22 prémios internacionais não reconhecem uma mulher há duas décadas.
Correio da Manhã 8 de Outubro de 2021 às 01:25
Há igualdade de género nos prémios de investigação científica? Este estudo diz que não.
Há igualdade de género nos prémios de investigação científica? Este estudo diz que não. FOTO: Getty Images

As mulheres têm vindo a afirmar-se cada vez mais na pesquisa científica, sendo que há 5% mais trabalhadoras na área de 2013 a 2018, segundo um relatório da Unesco. Mas, apesar de as perspetivas parecerem otimistas, as mulheres ainda saem a perder em comparação com os homens no que toca à probabilidade de receberem um prémio que represente a excelência do seu trabalho.

Um estudo publicado pela revista Quantitative Science Studies, que analisou 141 prémios internacionais de grande prestígio no período de 2001 a 2020, concluiu que desses prémios 2.011 foram recebidos por homens e apenas 262 por mulheres.

Além disso, 22 desses prémios (16% do total) não foram atribuídos a nenhuma pesquisadora durante essas duas décadas.

Ironicamente, alguns destes prémios têm nomes de cientistas mulheres, como o prémio Maryam Mirzakhani de matemática, concedido quatro vezes desde 2001, e o Queen Elizabeth de engenharia, que premiou 14 homens desde a primeira edição em 2013, segundo avançou o El País.

Nem é preciso ir muito longe para observar esta evidência, já que os sete vencedores do Nobel concedido esta semana nas categorias de medicina, física e química, eram todos homens.

Na elaboração do estudo, os investigadores dividiram a análise em quatro intervalos com a duração de cinco anos cada um. No total, analisaram prémios na categorias de biologia e ciências da vida (incluindo medicina), ciência da computação, engenharia, matemática, física e ciências sociais e comportamentais (incluindo psicologia).

Entre 2001 e 2005, houve 30% de representação feminina nos 111 prémios desse período. Já entre 2006 e 2010, essa representação aumentou nove pontos percentuais, 39% nos 132 prémios.

Entre 2011 e 2015, o número melhorou consideravelmente, havendo já 50% de representação feminina nos 137 reconhecimentos.

No último período as investigadoras conseguiram estar presentes em 65% das 141 premiações.

Apesar de haver uma melhoria significativa "o sistema tem de dar mais reconhecimento às pesquisadoras para ser justo com elas", disse o principal autor do estudo, Lokman I. Mehon, citado pelo El País.

Em Portugal, de acordo com o estudo da OCDE "A Procura da Igualdade de Género", o número de portuguesas que estudam ciências, tecnologia, engenharia ou matemática é superior ao de homens nas mesmas áreas. Portugal é o país do mundo com mais mulheres na ciência, 57% no total. São 17 pontos a mais do que nos Estados Unidos, 22 pontos a mais do que em Espanha ou na Dinamarca e mais que o dobro do no Japão.

Ver comentários