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Correio da Manhã

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Homem morre asfixiado dentro da mala do carro patrulha da polícia brasileira

Agentes despejaram sobre o rosto da vítima todo o conteúdo de um spray de gás de pimenta. Momento foi filmado.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 26 de Maio de 2022 às 16:53
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Homem morre asfixiado dentro da mala do carro patrulha da polícia brasileira

Genivaldo de Jesus dos Santos, de 38 anos, foi assassinado por asfixia dentro do porta-malas do carro da corporação por agentes da Polícia Rodoviária Federal, PRF, depois de ter sido parado numa Operação Stop, mesmo não sendo acusado de crime algum nem ter oferecido resistência. O caso aconteceu na tarde desta quarta-feira na cidade de Umbaúba, no litoral sul do estado de Sergipe, no nordeste do Brasil.

Genivaldo, que conduzia a sua mota, foi mandado parar pelos agentes, desceu da mota, levantou a camisa, para mostrar não estar armado, e depois os braços, evidenciando não ir resistir à abordagem. Enquanto era revistado disse aos agentes que fazia tratamento psiquiátrico, e que, por isso, estava com comprimidos no bolso mas também com a receita médica que comprovava a necessidade do uso do medicamento.

Segundo inúmeras testemunhas, foi nesse momento, ao saberem que Genivaldo tinha uma doença psiquiátrica, e mesmo sem qualquer atitude agressiva dele, que três agentes começaram a agredi-lo e a ofendê-lo, deram-lhe vários murros e chutos e, após o derrubarem no chão, imobilizaram-no.

Com o motociclista completamente dominado, os agentes despejaram sobre o rosto dele todo o conteúdo de um spray de gás de pimenta. Ante gritos de protesto de dezenas de populares, inclusive familiares de Genivaldo que, por os agentes estarem armados, não fizeram nada para impedir, o detido foi atirado para dentro da mala da viatura da PRF, e enquanto dois agentes seguravam a posta para impedir a saída da vítima, outro agente jogou lá para dentro todo o conteúdo de outro spray, este aparentemente de gás lacrimogénio.

Genivaldo debateu-se desesperadamente dentro da mala do carro, enquanto gritava que não tinha feito nada de mal. Minutos depois, quando Genivaldo parou de se debater e de gritar, os polícias entraram na viatura e deixaram o local levando o motociclista, nessa altura já morto.

No hospital local, os médicos confirmaram que Genivaldo de Jesus dos Santos morreu por asfixia, confirmando os relatos das testemunhas, que filmaram toda a situação e publicaram nas redes sociais. Esta quinta-feira, não obstante todas as gritantes evidências em contrário, a PRF considerou a acção dos agentes dentro dos protocolos, alegando que foi necessário usar a força para conter um suspeito muito agressivo e preservar a integridade dos polícias.
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