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Israel e Palestina sem tréguas: Os motivos do reacendimento do conflito no Médio Oriente

Expulsões de palestinianos de um bairro de Jerusalém e repressão na mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadão provocaram escalada de violência, centenas de feridos e muitos mortos.
Iúri Martins(iurimartins@cmjornal.pt) 12 de Maio de 2021 às 20:10
Expulsões de palestinianos de um bairro de Jerusalém e repressão na mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadão provocaram escalada de violência, centenas de feridos e muitos mortos.
Por Iúri Martins(iurimartins@cmjornal.pt) 12 de Maio de 2021 às 20:10
À medida que os dias passam, o número de vítimas dos mais recentes conflitos no Médio Oriente continua a aumentar exponencialmente. A escalada de violência entre israelitas e palestinianos acontece na sequência de uma sucessão de circunstâncias em Jerusalém e na Faixa de Gaza.

A marcha de nacionalistas israelitas, uma decisão iminente do Supremo Tribunal de Israel e as repressões policiais durante o Ramadão. Estes são os três pontos chave que marcam as últimas semanas de confrontos no Médio Oriente.

Há quem aponte a possibilidade de uma terceira Intifada. A violência em Jerusalém cresce a cada hora que passa. Cidadãos comuns da Palestina e Israel já entraram em confrontos nas ruas, isto depois de rockets já terem sido lançados em sucessivos ataques entre os dois territórios. Entre os mortos há crianças, mulheres e centenas de pessoas feridas. A maior parte inocentes. Para Israel o conflito está longe do fim e o alerta foi lançado. Os ataques não vão terminar, pelo menos para já.

A segunda Intifada - ação de revolta, neste caso ligada aos palestinianos - remonta ao período entre 2000 e 2005. Naqueles cinco anos, a revolta espoletou após uma visita de Ariel Sharon, líder da oposição, ao Pátio das Mesquitas. A visita foi considerada pelos palestinianos como uma provocação e os meses e anos que sucederam à visita ficaram marcados pelo sangue das centenas de vítimas dos conflitos entre israelitas e palestinianos. O sangue derramado só foi 'limpo' após a conferência de paz realizada a 5 de fevereiro de 2005. Mas a paz, essa, nunca chegou a ser encontrada.
O bairro de Sheikh Jarrah

Está localizado na zona Oriental de Jerusalém. O território fica perto da Cidade Velha de Jerusalém e é composto por zonas bastante contrastantes. Pobres, ricos e milhares de refugiados - de maioria palestiniana - ocupam aquela região de Jerusalém.

O território está ligado a várias ações em tribunal onde famílias judaicas procuram 'reaver' casas de que dizem ser proprietárias. O impasse dura há décadas. Se há quem tenha documentos que sustentam a compra do território por um fundo judeu, em 1876, no lado oposto da moeda estão as famílias de palestinianos que ali residem desde o final da década de '60.

Agora, as decisões do Supremo podem levar à expulsão de cidadãos palestinianos que ali vivem há dezenas de anos. E este é mesmo um dos principais pontos de tensão das últimas semanas. A verdade é que o Supremo adiou a tomada de decisão - que já se preparava para ser ali comemorada por nacionalistas ligados a Israel.

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A mesquita de Al-Aqsa

É considerada pelos muçulmanos como o terceiro local mais sagrado do Mundo, depois de Meca e Medina. A maior mesquita de Jerusalém tem capacidade para acolher cerca de cinco mil pessoas.

Al-Aqsa acabou por ser um ponto central da escalada de violência durante o mês sagrado do Ramadão - para os muçulmanos. As tensões subiram de tom quando Israel decidiu comemorar o "Dia de Jerusalém" - celebração ligada à conquista de Jerusalém Oriental e da Cidade Velha, não reconhecida por grande parte da comunidade internacional - com marchas nacionalistas na cidade.

A polícia israelita invadiu o complexo da mesquita de Al-Aqsa e disparou balas de borracha e gás lacrimogéneo contra os manifestantes palestinianos que lançavam pedras contra as autoridades e protestavam contra as marchas nacionalistas protagonizadas por israelitas.


Enquanto os confrontos se desenrolavam ao longo do mês de Ramadão - muito devido às repressões policiais em pontos chave para os fiéis muçulmanos - e posteriormente na celebração do dia de Jerusalém junto à Mesquita de Al-Aqsa, o poderoso Exército israelita avançava contra vários alvos do Hamas na Faixa de Gaza.

Projéteis lançados pelo Hamas contra o território de Israel levaram a respostas impiedosas por parte dos israelitas. O chefe do Governo de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que não iria permitir qualquer ato extremista que ameaçasse a segurança do povo.

A verdade é que o número de mortos continua a aumentar de parte a parte. Entre as vítimas há crianças e mulheres. Muitos inocentes. Mais de cinco dezenas já perderam a vida nos recentes confrontos e centenas ficaram feridos. Há pessoas presas nos escombros dos edifícios totalmente destruídos pela força da ofensiva israelita.
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Conflito que preocupa o Mundo

Sucedem-se as mensagens e os pedidos de paz no Médio Oriente nos últimos dias, há protestos um pouco por todo o Mundo. Apesar dos apelos, o primeiro-ministro de Israel prometeu intensificar os ataques contra o Hamas.

"Desde ontem (segunda-feira), o exército realizou centenas de ataques contra o Hamas e a Jihad Islâmica em Gaza. (...) E vamos intensificar o poder dos nossos ataques", disse Netanyahu lamentando ainda a morte de duas israelitas.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, mostrou-se "muito preocupado" com as hostilidades entre Israel e palestinianos, apelando ao "desanuviamento" das tensões após uma conversa telefónica com o Presidente israelita, Reuven Rivlin.

"A prioridade deve ser o desanuviamento [das tensões] e impedir a perda de vidas de civis inocentes dos dois lados", referiu Charles Michel.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, está também envolvido em intensos contactos diplomáticos por telefone com o objetivo de impedir o prosseguimento do uso da força por Israel contra a população palestiniana, anunciou o seu gabinete.

De acordo com esta fonte oficial, Erdogan já contactou desde a noite de segunda-feira com o rei do Malásia e com os líderes do Qatar, Kuwait e Jordânia, com o objetivo de garantir uma forte posição conjunta de nações muçulmanas contra Israel.

O Presidente turco, que denunciou veementemente as ações repressivas israelitas no complexo da mesquita Al-Aqsa durante o mês de jejum do Ramadão, também manteve conversações com o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, e com o líder do Hamas, Ismail Haniyeh.

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