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Correio da Manhã

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Israel qualifica seis ONG palestinianas de "organizações terroristas"

As organizações não-governamentais em questão são acusadas de ligações à Frente Popular de Libertação da Palestina.
Lusa 22 de Outubro de 2021 às 17:11
Ministro da defesa de Israel, Benny Gantz, anunciou ter colocado na lista negra seis ONG palestinianas
Ministro da defesa de Israel, Benny Gantz, anunciou ter colocado na lista negra seis ONG palestinianas FOTO: REUTERS/Carlos Barria
O governo israelita anunciou esta sexta-feira ter incluído na lista de "organizações terroristas" seis organizações não-governamentais palestinianas acusadas de ligação à Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), uma decisão imediatamente criticada por defensores dos direitos humanos.

O Estado hebreu, tal como a União Europeia, considera há anos a FPLP (grupo armado de linha marxista) como uma organização terrorista e numerosas personalidades ligadas ao movimento, que tem um braço político, foram presas nos últimos anos.

Esta sexta-feira, o Ministério da Defesa israelita anunciou ter colocado na lista negra seis ONG palestinianas, incluindo as organizações de defesa dos direitos humanos Al-Haq e Addammer, por ligações à FPLP.

As restantes organizações são a União de Comités de Mulheres Palestinianas, o Centro de Investigação e Desenvolvimento Bisan, a União de Comités de Trabalho Agrícola e a Defesa Internacional da Infância -- Palestina, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

"Estas organizações fazem parte de uma rede que, sob a cobertura de atividades internacionais, dependem da FPLP para apoiar os seus objetivos e promover as suas atividades", afirma um comunicado do gabinete do ministro da Defesa, Benny Gantz, salientando que "a direção da FPLP apela à destruição de Israel através de atos terroristas".

Segundo Gantz, "estas organizações beneficiam de ajudas de Estados europeus e de organizações internacionais obtidas de modo fraudulento".

O dinheiro "permite à FPLP financiar as famílias dos terroristas e dos autores de atentados, pagar salários aos seus membros, reforçar as suas atividades terroristas e difundir a sua ideologia", adianta, apelando à comunidade internacional para "cortar todos os contactos com associações e organização que apoiam o terrorismo".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestiniana classificou a decisão de "escandalosa", considerando que representa a última medida "de uma campanha sistemática e implacável contra as organizações da sociedade civil palestiniana e os principais defensores dos direitos humanos".

"Trata-se de uma decisão política, não de segurança, que se insere numa longa campanha de Israel contra as ONG palestinianas para as calar", comentou na mesma linha Shawan Jarareen, diretor da Al-Haq, em declarações à agência France-Presse.

A ONG israelita anti-colonização B'Tselem também criticou a decisão das autoridades do seu país, considerando-a "digna dos regimes totalitários".

Num comunicado conjunto, a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch denunciaram uma decisão "excessiva", "injusta" e "preocupante" que "ameaça" o trabalho de algumas das mais "importantes" ONG palestinianas.

Na segunda-feira, o Estado hebreu anunciou ter revogado o estatuto de residente em Jerusalém do franco-palestiniano Salah Hammuri, um dos principais advogados da ONG Addammeer, que defende presos palestinianos em Israel.

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