Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
7

Jornais dos países do Mercosul destacam "um país dividido"

Analistas consideram que a primeira volta teve "dois vencedores".
Lusa 3 de Outubro de 2022 às 11:26
Jair Bolsonaro garantiu que vai vencer já na primeira volta, mas Lula da Silva lidera sondagens há meses
Jair Bolsonaro garantiu que vai vencer já na primeira volta, mas Lula da Silva lidera sondagens há meses FOTO: Ueslei Marcelino/X02828
Os portais de notícias dos países que fazem parte do Mercosul (Mercado Comum do Sul) olharam para o resultado das eleições brasileiras como um exemplo de divisão, sobretudo nas publicações da Argentina, Uruguai e Bolívia.

O portal do jornal argentino El Clarín noticia a vantagem do candidato Lula da Silva (esquerda) mas sublinha que a margem em relação ao atual Prsidente, Jair Bolsonaro (extrema-direita), é "curta" levando o analista Marcelo Cantelmi a escrever que se tratou de uma primeira volta "com dois vencedores".

O Clarín noticia ainda que o chefe de Estado argentino Alberto Fernandéz (Partido Justicialista, esquerda) felicitou Lula pelo resultado da primeira volta, apesar da curta margem em relação a Bolsonaro.

O mesmo artigo refere que a vice-presidente Cristina Kirchner esperava uma "diferença mais ampla" nos resultados dos dois principais candidatos das eleições de domingo.

O La Nación, uma outra publicação argentina titula a "frustração" dos apoiantes de Lula "que esperavam festa" e destaca as declarações de Jair Bolsonaro, que após a divulgação dos resultados no domingo à noite disse que a "mudança pode vir a ser pior".

"Vejam o que aconteceu na Argentina, na Colômbia e na Venezuela", disse o atual Presidente do Brasil, somando também "à lista" o Chile e a Nicarágua.

"Todos os países que migraram para a esquerda ficaram pior. Preocupa-me a liberdade do povo", titula o La Nación, citando Bolsonaro e destacando na primeira notícia do portal que "o bolsonarismo" foi o grande vencedor das eleições para "a Câmara Baixa do Congresso".   

No Paraguai, país fundador do Mercosul, apenas dois dos onze portais de notícias chamam à primeira parte da página as eleições presidenciais brasileiras referindo que vai realizar-se a segunda volta no final do mês.

Para o jornal El Pais do Uruguai, Jair Bolsonaro "surpreendeu" obrigando Lula a disputar a segunda volta das eleições.

"Lula ou Bolsonaro: O Uruguai vai receber o impacto do novo governo do Brasil" titula o portal do El País, em Montevideu, cidade onde está instalada a sede do Mercosul. 

Antes de se conhecer o resultado da primeira volta o Presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou (centro-direita) disse que o país vai manter "boas relações" seja qual for o resultado final.

O chefe de Estado acrescentou que a região deve empenhar-se "num Mercosul integrado e aberto ao mundo".

"Esta é a posição do Uruguai seja quem governe cada um dos países do bloco" económico, afirmou o chefe de Estado do Uruguai, citado no portal El País do Uruguai, referindo-se às eleições brasileiras. 

A maior parte dos portais de notícias de Santiago do Chile publicam o noticiário difundido pelas agências de notícias internacionais sobre o Brasil, destacando-se apenas o El Mercurio que publica as informações sobre as eleições na primeira parte da edição digital.

O portal boliviano de notícias La Razón destaca na primeira parte da publicação que Bolsonaro obteve um resultado que provoca "surpresa" conseguindo "pisar os calcanhares de Lula" e passar à segunda volta no próximo dia 30 de outubro. 

A mesma publicação refere que as principais empresas de sondagens tinham previsto uma "ampla vantagem" de Lula mas que Bolsonaro resistiu e conseguiu um resultado que apenas os apoiantes do ex-militar acreditavam. 

"Lula, que tinha reservado a emblemática avenida Paulista para celebrar a vitória vai ter agora que lutar por todos os votos", escreve o La Razón da Bolívia, país associado do Mercosul.

Para o mesmo jornal boliviano, Lula não conseguiu afastar "dos olhos de uma boa parte da sociedade brasileira, a mancha da corrupção", referindo-se ao escândalo "Lava Jato", sobre a rede de subornos em torno da petrolífera estatal Petrobras. 

Duas fotografias no topo do portal dão conta das últimas declarações dos dois candidatos: a imagem de Lula com a legenda "a luta continua até à vitória final" e por baixo, Bolsonaro com a declaração "vencemos a mentira" das sondagens.?? O? El Diario, o jornal mais antigo da Bolívia ainda não atualizou informação e mantém no portal a notícia antes do encerramento das urnas referindo que o Brasil "dirime" as eleições mais polarizadas de sempre mas que Lula é o "favorito indiscutível".

No Equador, país que já iniciou o processo de integração no Mercosul, a edição digital do El Universo publica no topo do portal uma foto de apoiantes de Lula da Silva com uma legenda que indica a realização da segunda volta no final do mês.  

Sem qualquer destaque especial, o El Universal, do México noticia as felicitações do chefe de Estado, Andrés Lopés Obrador (esquerda).

"Felicidades, irmão e companheiro Lula. O povo do Brasil demonstrou uma vez mais a vocação democrática e em especial a 'inclinação' pela igualdade e a justiça", disse Obrador, citado pelo El Universal do México, país com o estatuto de observador do Mercosul desde 2006.

Na Nova Zelândia, país com estatuto de observador do Mercosul, desde 2010, a primeira volta das eleições presidenciais no Brasil não é noticiada com destaque.

O Granma, portal oficial do Partido Comunista de Cuba publica um curto texto na edição de hoje indica que o resultado de Lula da Silva pode significar o "renascer da esperança" para os 150 milhões de habitantes do "gigante sul-americano". 

O portal de notícias norte-americano Politico indica os resultados alcançados pelos dois candidatos sem qualquer destaque especial.

No Reino Unido, as notícias do Brasil são o tema principal do portal do Guardian com um artigo de Archie Blend que refere que os "progressistas de todo o mundo esperavam" o afastamento de Jair Bolsonaro.

"Tal não aconteceu", escreve o articulista. 

Em Espanha, a edição digital do El País concede grande destaque à atualidade brasileira com fotografias e gráficos e dois artigos de opinião: um de Xosé Hermida com o título "Um país partido" e outro de Manuel Canelas.

"A mera agregação de vitórias eleitorais da esquerda (na América do Sul) não significa uma mudança de um ciclo político. Lula tem de começar a admitir que Bolsonaro não é só um pesadelo", escreve Manuel Canelas no El País.

O jornal espanhol publica ainda a tabela dos resultados eleitorais por regiões e municípios.

 

Ver comentários