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Correio da Manhã

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Juiz espanhol recusa prisão preventiva de Ghali

Magistrado não decretou medidas cautelares e líder da Frente Polisário pode deixar o país a qualquer momento.
Ricardo Ramos 2 de Junho de 2021 às 08:26
Ghali
Ghali FOTO: SERGIO PEREZ/Reuters
O líder da Frente Polisário, Brahim Ghali, cujo acolhimento secreto em Espanha para tratamento médico abriu um grave conflito diplomático com Marrocos, foi esta terça-feira ouvido por um juiz da Audiência Nacional espanhola, que recusou decretar medidas cautelares, permitindo, assim, que o dirigente saaraui abandone o país a qualquer momento.

Ghali, que foi ouvido por teleconferência a partir do hospital de Logroño onde se encontra a recuperar de sequelas da Covid-19, negou as acusações de genocídio e torturas de que é alvo, tendo o juiz rejeitado o pedido de prisão preventiva por não encontrar indícios de culpabilidade nas alegações apresentadas.

Mais, o magistrado considerou que “não existe risco de fuga nem de destruição de provas”, pelo que decidiu não impor medidas cautelares como a apreensão do passaporte ou a proibição de sair do país. Na prática, isto quer dizer que Ghali é livre de deixar Espanha quando entender, o que poderá acontecer nas próximas horas.

Aliás, só não o fez esta terça-feira porque o avião enviado pela Argélia para o recolher não tinha a documentação necessária, tendo sido obrigado a voltar para trás.

Madrid acredita que, com a decisão do juiz, a resolução do conflito com Marrocos poderá estar para breve.

Recorde-se que Rabat decidiu há duas semanas levantar os controlos fronteiriços em Ceuta como retaliação pelo acolhimento de Ghali, permitindo que mais de 10 mil migrantes entrassem naquele território espanhol.
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