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Justiça abre sigilos de filho de Bolsonaro por suspeita de corrupção

Pedido tinha sido feito pelo Ministério Público, que desde 2019 tem dois processos contra o vereador do Rio de Janeiro e filho do presidente da República.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 1 de Setembro de 2021 às 13:18
Carlos Bolsonaro é acusado do mesmo crime que o irmão, Flávio
Carlos Bolsonaro é acusado do mesmo crime que o irmão, Flávio FOTO: Reuters

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, TJ-RJ, autorizou a abertura dos sigilos bancário e fiscal de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro, por suspeita de corrupção. O pedido tinha sido feito pelo Ministério Público, que desde 2019 tem dois processos contra o vereador do Rio de Janeiro e filho do presidente da República.

Um desses processos investiga suposto crime de extorsão praticado pelo vereador através do processo conhecido no Brasil como "rachadinha". Esse esquema obriga funcionários e assessores de gabinete a devolverem a maior parte do ordenado ao político que os contratou, normalmente 80% do que recebem mensalmente.

No segundo inquérito, Carlos Bolsonaro é suspeito de durante anos ter contratado os chamados "funcionários fantasmas", ou seja, pessoas que não precisavam aparecer para trabalhar e que, também neste caso, devolviam a maior parte dos ordenados. Num dos casos, uma suposta assessora de Carlos Bolsonaro ligada a uma das ex-mulheres do presidente Jair Bolsonaro, sempre viveu em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, mas constou durante sete anos como assessora no gabinete do vereador no Rio de Janeiro, a 441 km.

Os dois processos contra Carlos Bolsonaro já iam mais adiantados, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal que tirou a prerrogativa de foro a vereadores fez as investigações passarem para a primeira instância da justiça, onde tudo teve de recomeçar. A acusação do Ministério Público contra Carlos é semelhante à que existe contra o irmão Flávio Bolsonaro, hoje senador, acusado pelos procuradores de ter enriquecido ilícitamente quando era deputado regional no Rio de Janeiro também através de um esquema de "rachadinha", processo que se arrasta desde 2018 porque a influência do clã presidencial tem travado as investigações.

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