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Correio da Manhã

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Lóbi das energias fósseis compromete acordo ambicioso e adia declaração final da COP26

Declaração final da cimeira foi adiada devido a desentendimentos quanto à condenação de carvão, gás e petróleo pelo aquecimento global.
Francisco J. Gonçalves 13 de Novembro de 2021 às 09:40
Boris Johnson  queria um acordo forte para polir imagem após  o Brexit
Manifestantes envolveram-se em confrontos com a polícia
Ministro Matos Fernandes formalizou entrada de Portugal em aliança
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As querelas sobre compensações financeiras aos países pobres pelo impacto do aquecimento global e as pressões dos lóbis dos combustíveis fósseis (e de países como Rússia, Austrália e Arábia Saudita) forçaram esta sexta-feira o adiamento da declaração final da cimeira do clima de Glasgow. Para apagar as polémicas do Brexit, o governo britânico de Boris Johnson, organizador da COP26, queria uma declaração de consenso forte, mas os esboços finais do acordo desiludem quem esperava um sinal claro de mudança na proteção ambiental, fazendo temer que as grandes medidas fiquem adiadas uma vez mais.

“Peço-vos para irem ao encontro uns dos outros e desejo que encontremos soluções para as questões relevantes”, afirmou Alok Sharma, presidente da COP26, antes de interromper os trabalhos, que se prolongaram noite dentro.

Os EUA garantiram estar do lado certo, ao pedir a eliminação do uso do carvão e o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis. “Somos o maior produtor mundial de petróleo e gás natural. Damos esses subsídios e eles têm de acabar”, afirmou John Kerry, enviado dos EUA.

Mas a desilusão predominava esta sexta-feira entre ativistas e delegados da sociedade civil, ante uma declaração que adia decisões, limitando-se a pedir aos países que em 2022 apresentem metas mais ambiciosas, para controlar as emissões poluentes e manter o aquecimento global nos 1,5 graus centígrados previstos desde 2015, no Acordo de Paris.

PORMENORES
Amazónia devastada
Dados divulgados esta sexta-feira revelam que a desflorestação da Amazónia atingiu novo recorde em outubro, com 877 km² devastados, cenário que desmente o quadro que o Brasil apresentou na cimeira.

Ativistas deixam COP26
Centenas de representantes da sociedade civil abandonaram esta sexta-feira a COP26 antes do fecho da cimeira, em protesto contra a falta de ambição dos líderes políticos ali reunidos.

Preço do aquecimento
Os custos anuais dos estragos das alterações climáticas podem superar os 350 mil milhões de euros anuais em 2030.

Portugal contra uso de petróleo
Portugal juntou-se esta sexta-feira a dez outros países e territórios numa aliança para acabar com a exploração de gás e petróleo, uma intenção limitada, pois dos países que integram este acordo, só a Dinamarca tem produção significativa. Os fundadores são, ainda, Costa Rica, França, Irlanda, Suécia, Itália, Nova Zelândia, Gronelândia, País de Gales, Quebec e o estado da Califórnia. Portugal não é produtor nem virá a ser, se for respeitada a recente Lei de Bases do Clima. A aliança visa "abordar outros países" para que eliminem aqueles poluentes, "do lado da oferta e da procura", salientou Andrea Meza, ministra do Ambiente da Costa Rica.
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