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Correio da Manhã

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Novo regime de Angola tira privilégios a filhos de ex-presidente

Presidente exonera Isabel dos Santos do conselho de administração da Sonangol.
Francisco J. Gonçalves 16 de Novembro de 2017 às 01:30
Isabel dos Santos
Isabel dos Santos
Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos
José Paulino dos Santos e ‘Tchizé’ são sócios da empresa que tutelava o segundo canal da TV pública angolana
Isabel dos Santos
Isabel dos Santos
Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos
José Paulino dos Santos e ‘Tchizé’ são sócios da empresa que tutelava o segundo canal da TV pública angolana
Isabel dos Santos
Isabel dos Santos
Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos
José Paulino dos Santos e ‘Tchizé’ são sócios da empresa que tutelava o segundo canal da TV pública angolana
A profunda reforma que o novo presidente de Angola, João Lourenço, está a fazer no país atingiu ontem os filhos do anterior chefe de Estado. Isabel dos Santos, filha mais velha de José Eduardo dos Santos e considerada a mais poderosa mulher de Angola, foi exonerada da presidência da Sonangol.

Lourenço tirou ainda à Semba Comunicação a gestão do segundo canal da TV Pública de Angola (TPA), afastando dessa forma Welwitshea ‘Tchizé’ dos Santos e o irmão José Paulino dos Santos, sócios da empresa.

O afastamento de Isabel dos Santos reduz a sua influência em empresas portuguesas como a Galp Energia ou BCP, nas quais a Sonangol tem uma importante participação. A empresária mantém ainda fortes investimentos em Portugal nos setores das telecomunicações, banca e energia.

Para suceder a Isabel dos Santos na liderança da petrolífera angolana foi escolhido Carlos Saturnino, que a filha do ex-presidente tinha demitido em 2016 da comissão executiva da Sonangol Pesquisa & Produção.

Para já, sobrevive José Filomeno dos Santos, outro filho do ex-presidente, que mantém a tutela do Fundo Soberano de Angola (FSDEA).

As exonerações de ontem aconteceram no dia em que Lourenço cumpria 50 dias no poder e foram antecipadas por um alerta do presidente no sábado, nos 42 anos da independência. Nessa altura referiu "os inúmeros obstáculos no caminho que queremos percorrer".

A reforma encetada por João Lourenço já tinha levado a mudanças no Banco Nacional de Angola, que voltou a ser chefiado por José de Lima Massano, que fora demitido em 2015.

Houve ainda mexidas nos media, onde, além da TPA, houve demissões no ‘Jornal de Angola’, e também no setor dos diamantes, com novas chefias tanto na parte da exploração (Endiama) como na da comercialização (Sodiam). 

PORMENORES 
Oposição sem surpresas
Os dois principais partidos da oposição, UNITA e CASA-CE, consideram que as exonerações recentes "não surpreendem" e já eram "de esperar". Alcides Sakala, porta-voz da UNITA, diz que a reforma "abre uma nova era" e liberta Angola da asfixia das liberdades fundamentais.

Respeito pela soberania
O MNE português, Augusto Santos Silva, afirma que Portugal segue "com respeito escrupuloso pela soberania de Angola" as reformas em curso, no âmbito das quais o novo presidente exonerou dezenas de responsáveis de empresas públicas.
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