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Correio da Manhã

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Macron troca de telemóvel para evitar vigilância

Governo francês reuniu de emergência para alterar os protocolos de segurança, devido à ameaça do software espião Pegasus.
Francisco J. Gonçalves 24 de Julho de 2021 às 09:38
Macron manteve reunião com os seus ministros para debater medidas de combate à vigilância com o sistema Pegasus
Macron manteve reunião com os seus ministros para debater medidas de combate à vigilância com o sistema Pegasus FOTO: Lusa/EpaLUDOVIC MARIN
Antes de partir para o Japão e para a inauguração dos Jogos Olímpicos, o presidente Emmanuel Macron trocou de telemóvel e reuniu de emergência o seu governo para debater a alteração dos protocolos de segurança em França ante a ameaça do software espião Pegasus.

A decisão do presidente francês surge depois de um consórcio de jornalistas e a Amnistia Internacional divulgarem dados preocupantes sobre esse ‘spyware’. Macron e 14 ministros franceses teriam sido listados para vigilância por Marrocos e, embora se desconheça se o sistema espião israelita NSO chegou a infetar o telemóvel do presidente, este e os seus ministros trocaram os equipamentos.

Marrocos desmentiu usar o Pegasus e classificou as acusações como “falsas e sem fundamento”.

O ‘spyware’ infeta iPhones e aparelhos Android, permitindo aceder a SMS, fotografias, emails. As chamadas podem ser gravadas e os microfones e câmaras dos telemóveis podem ser ativados remotamente.

Desde 2016, o Pegasus terá servido para vigiar 180 jornalistas, 85 ativistas e 14 chefes de Estado, podendo Macron ser um deles. O NSO diz ter vendido o sistema a 40 países com o aval do governo de Israel.

pormenores
Israel lança investigação
O Parlamento israelita abriu uma comissão de inquérito sobre o alegado uso abusivo do Pegasus por alguns governos. A Mossad disse também que estudará se devem ser feitas correções ao sistema da companhia israelita NSO.

Empresa nega acusações
A NSO diz ter vendido o Pegasus apenas a governos que respeitam os direitos humanos. Mas a Arábia Saudita, por exemplo, terá usado o sistema para espiar familiares de Jamal Khashoggi, jornalista assassinado em 2018 em Istambul.
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